Ativistas da flotilha permanecem sob custódia por mais dois dias

Foto: Tan Safi | Coalizão da Flotilha da Liberdade

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04 Mai 2026

O juiz de Ashkelon prorrogou a prisão preventiva do brasileiro Thiago Ávila — que chegou ao tribunal algemado — e do palestino espanhol Saif Abukashek. Espanha e Brasil protestaram.

A reportagem é de Alessia Candito, publicada por La Repubblica, 03-05-2026.

Thiago Avila e Saif Abukashek, os dois membros da diretoria da Flotilha Global Sumud presos durante a operação da Marinha israelense e levados para Ashkelon, diferentemente dos outros 173 que foram libertados na Grécia, terão que permanecer na prisão de Shika, em Israel, por pelo menos mais dois dias.

Cansados ​​e exaustos, após dias em greve de fome em protesto contra a violência e os abusos sofridos, os dois compareceram ao tribunal vestindo uniformes marrons de presidiários, com correntes nos pés de Ávila, como mostra um vídeo gravado durante a audiência pública. O rosto de Ávila apresentava as marcas das agressões que havia recebido, sobre as quais funcionários consulares brasileiros, que conseguiram encontrá-lo na prisão, já haviam alertado no dia anterior.

Os pulsos do espanhol-palestino Saif Abukashek ainda apresentavam marcas das abraçadeiras de nylon com que ficou amarrado por quase dois dias. Advogados da ONG Adalah, que os estão auxiliando, descreveram o ocorrido como "tratamento desumano".

O Ministério das Relações Exteriores nega.

Alguns dos ativistas libertados também relataram ter sofrido violência e abusos, e alguns precisaram de atendimento hospitalar ao chegarem a Ierapetra. O Ministério das Relações Exteriores de Israel, no entanto, nega as alegações, classificando as queixas dos ativistas como "falsas, infundadas e premeditadas". "Saif Abu Keshek e Thiago Avila", diz o comunicado divulgado, "nunca foram torturados. Após um confronto físico violento com membros da tripulação israelense, estes foram obrigados a intervir para impedir tais ações". De acordo com a versão apresentada pelas autoridades israelenses: "Durante a transferência dos passageiros para as forças gregas, alguns passageiros se recusaram e começaram a protestar violentamente. Para conter a violência e concluir a transferência, uma unidade policial a bordo de uma embarcação das Forças de Defesa de Israel foi obrigada a usar a força".

Os dois ativistas são acusados ​​de terrorismo

O juiz do tribunal local, no entanto, concedeu parcialmente o pedido do procurador-geral, que havia solicitado mais quatro dias de prisão para ambos os homens sob suspeita de "auxiliar o inimigo em tempo de guerra, contatar agentes estrangeiros, prestar serviços e transferir bens em nome de uma organização terrorista". Não se trata de uma acusação formal, mas de um crime suspeito "sob investigação", o que em Israel permite a prorrogação da detenção.

Espanha e Brasil estão indignados: "ação ilegal"

Os advogados da Adalah, representando os dois ativistas, contestaram sem sucesso a falta de fundamento legal para a detenção, salientando que Ávila e Abukashek foram capturados em águas internacionais sob jurisdição europeia. O veredicto corre o risco de tensionar ainda mais as relações com a Espanha e o Brasil, que nos últimos dias condenaram conjuntamente "o sequestro de nossos compatriotas em águas internacionais". A operação, a captura e a deportação para Israel de Ávila e Abukashek, afirmaram, são "uma ação manifestamente ilegal, fora de sua jurisdição, que constitui uma afronta ao direito internacional, está sujeita a processo perante tribunais internacionais e constitui um crime sob nossas respectivas jurisdições". Esses pontos foram reiterados ontem pelo Ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, que pediu a libertação imediata de Saif Abukashek, cidadão espanhol há mais de vinte anos, detido em águas internacionais em uma operação "completamente ilegal" e "inaceitável", "fora de qualquer jurisdição".

Petições e apelos para libertação

Movimentos também estão em curso na Itália para a libertação dos dois ativistas, com uma denúncia urgente apresentada à Procuradoria de Roma, e na Europa, com um recurso urgente ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Uma petição global foi lançada e já angariou milhares de assinaturas em poucas horas. Greta Thunberg, que já participou de flotilhas que tentaram chegar à Faixa de Gaza, também fez um apelo em favor deles, mas decidiu não participar da última expedição para continuar seu trabalho em terra.

Na Itália, alguns dos ativistas foram presos e libertados.

"O que aconteceu na costa grega não foi um ato de pirataria, mas a consequência deliberada do apoio dos governos europeus ao regime israelense. O bloqueio naval imposto a Gaza se estendeu por todo o Mediterrâneo, até chegar às nossas costas", disse Tony La Piccirella, membro do comitê organizador, que também foi detido durante a incursão israelense, juntamente com outros 175 ativistas, e mantido incomunicável por quarenta horas em um navio militar israelense. Junto com outros ativistas, incluindo vários italianos, La Piccirella está retornando à Itália "para testemunhar os abusos que sofreram e a ação totalmente ilegal que foi cometida", enquanto na Grécia o restante da flotilha aproveita os dias de mau tempo para consertar seus barcos e voltar a navegar.

A flotilha se prepara para zarpar novamente

Alguns dos veleiros abordados pela Marinha israelense e abandonados à deriva após a captura de suas tripulações foram recuperados. Todos estão danificados, a maioria com velas rasgadas e cordas cortadas, mas alguns ainda têm motores funcionando, então, com bastante trabalho, logo poderão voltar ao mar. Se Meltemi permitir, a frota poderá zarpar novamente em três ou quatro dias. "Se até alguns dias atrás tínhamos dois milhões de razões, tantas quanto os cidadãos de Gaza, para chegar à Faixa, hoje", dizem a bordo, pensando nos dois ativistas detidos, "temos mais duas". 

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