30 Abril 2026
Uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul na manhã desta quarta-feira (29) reuniu comunidades atingidas pelas enchentes de 2024 na Bacia Hidrográfica do Guaíba para discutir e reivindicar ações de reparo aos danos causados pela tragédia e para evitar a sua repetição. Durante o evento, uma carta que reúne manifestações de lideranças comunitárias, moradores de regiões flageladas pelas águas e representantes de entendidades foi apresentada e deve ser encaminhada ao governo do Estado pelo deputado estadual Adão Pretto (PT), presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da AL-RS, colegiado responsável pela promoção do debate.
A reportagem é publicada por Sul21, 29-04-2026.
Ocorrido na Sala João Neves da Fontoura, o Plenarinho, o debate não contou com a presença de nenhum representante do governo Leite, que foi alvo de críticas de inação nas obras de contenção a futuras catástrofes.
Em suas declarações, muitos dos atingidos relataram ainda sofrer com problemas ocasionados pelas enchentes, como moradias inadequadas, falta de acesso a políticas e serviços públicos, carência de indenizações e reassentamento. Leonardo Maggi, dirigente do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), defendeu que as enchentes devem ser encaradas como um problema a nível estadual a partir dos eventos de 2024, que atingiram mais de 20% da população do RS. O militante ainda destacou que as reivindicações não são exclusivas dos últimos dois anos, já que muitas comunidades do estado vivem sob histórico de alagamentos. “O ano em que começamos a ser atingidos a gente já nem lembra, de tanto que a população gaúcha recorrentemente perdeu tudo ou quase tudo a cada chuva”, afirmou.
Além disso, Leonardo denunciou que as listas de atingidos que ainda estão em moradias provisórias enviadas pelo Rio Grande do Sul a Brasília estão incompletas. “Infelizmente, passados dois anos, sequer nossos nomes estão nas listas das prefeituras que dizem que cadastraram os atingidos”. Sem o cadastramento adequado, a população atingida não pode tornar-se beneficiária das políticas de auxílio do governo federal. Segundo o dirigente do MAB, isso se deve à falta de um critério específico para definir quem são as vítimas da catástrofe ambiental. “Tem que ter uma política clara”, apelou.
Já Juraci Padilha dos Santos, moradora do Vale do Taquari, também destacou a espera pela inclusão em políticas públicas por que passam muitos dos moradores da região do rio Taquari, que ultrapassou os 30 metros em maio de 2024, mais de 10 metros acima de sua cota de inundação. Em tom de desabafo, ela relatou o impacto psicológico com as perdas sofridas e cobrou atuação mais ativa do governo do Estado.
Pretto também direcionou cobranças ao executivo estadual, apontando que, apesar do aporte financeiro para a reconstrução recebido do governo federal – que chega a quase R$ 13 bilhões – “o governador Eduardo Leite não demandou as providências adequadas para atender as comunidades atingidas”. O parlamentar ainda fez um apelo às autoridades da Casa Civil para que promovam uma audiência no Palácio Piratini com a participação dos atingidos.
Presentes no debate, as deputadas Laura Sito (PT) e Sofia Cavedon (PT) e o deputado Matheus Gomes (PSOL) também se manifestaram. A primeira, que é moradora do Bairro Sarandi, uma das áreas mais afetadas pelas enchentes de 2024, salientou a atuação das organizações civis e movimentos sociais em defesa dos atingidos. Ao final da audiência, ficou acordada a elaboração conjunta de um projeto de lei para a criação de uma política estadual de direitos para populações atingidas por eventos climáticos.
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