Ver com os olhos da fé. (Breve reflexão para crentes ou não). Comentário de Chico Alencar

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12 Abril 2026

"Páscoa é passagem do medo para a coragem, da tristeza para a alegria, do individualismo para a comunhão", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, ao comentar o evangelho deste Domingo da Divina Misericórdia.

Segundo ele, "questão de fé apaixonada, com visão translúcida: "o olho vê, a lembrança revê, a imaginação transvê: é preciso transver o mundo" (Manoel de Barros - 1916-2014)".

Eis o comentário.

A Páscoa de Jesus só se completa quando seus discípulos - e cada um(a) de nós! - sentem sua presença, sua aura, seu Espírito (João, 20, 19-31).

Carne e verbo sua palavra (e)terna e acolhedora: "A paz esteja com vocês!" era a saudação do que tinha vencido as sombras do nada, da morte.

Isso tudo é muito concreto, como real era o medo dos seus e suas companheiro/as após a execução de seu Mestre na cruz.

Todos estavam temerosos e viviam às escondidas. A violência do Império e dos chefes do Templo de Jerusalém podia vir sobre eles...

Mas eis que chega Jesus, em seu estado de graça, e lhes restitui a serenidade e a alegria. 

Páscoa é passagem do medo para a coragem, da tristeza para a alegria, do individualismo para a comunhão!

O Cristo Ressuscitado depende da nossa fé para revivificar em sua nova forma. No seu corpo luminoso, que atravessa portas fechadas e paredes, há os sinais da dor e das torturas, dos furos dos pregos e da lança. Ele doa amor sem esquecer a dor. Traz alento sem esconder o próprio sofrimento.

Tomé, afinal, viu, tocou, acreditou. Nós, continuadores de sua Páscoa, ganhamos a bem aventurança dos que não viram e creram...

Mas vemos sim! Jesus Ressuscitado nos chega através do pão repartido (comum-união), do gesto solidário, da "escolha de uns aos outros" (como disse Christina Koch, ao chegar no lado oculto da lua). No cuidado com todas as formas de vida ameaçadas na Terra, na saudade cálida e na esperança do Reencontro com o(a)s amado(a)s que se foram.

Ressurreição nos povos que resistem às atrocidades neocoloniais. Há Páscoa na criança que brinca em meio a escombros, na flor que rompe o asfalto e a aridez. Ressurreição é teimosia da vida!

O Cristo, nossa Páscoa, é irmão de cada um(a) que, como cantou Gonzaguinha (1945-1991), tem "fé no homem, fé na vida, fé no que virá". Fé com obras, para não ser vã: "vamos lá fazer o que será!".

Os sinais estão aí, apesar de tantos mísseis, medo e morte. Saibamos enxergar, ressuscitemos com Ele!

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