10 Abril 2026
"Todos e todas que se reunirão em devoção terão atuado pela paz ou pela guerra? Possivelmente, mais uma vez, o Bispo de Roma estará sozinho (ou quase) pregando a paz, um dom de Deus, mas também fruto do empenho de pessoas de boa vontade, independentemente de qual for sua fé, ou não fé", escreve Luigi Sandri, jornalista italiano, em artigo publicado por l’Adige, 07-04-2026.
Eis o artigo.
Mais uma vez, grande é a solidão do Papa reinante ao clamar pela paz no mundo durante a Páscoa, enquanto, no mesmo dia, guerras e rumores de guerra não parecem dar sinais de arrefecimento, e a situação no Irã é mais grave do que nunca, com Donald Trump ameaçando “leva-lo de volta à Idade da Pedra” com um ataque aéreo e naval massivo. E também Vladimir Putin — que celebrará a Páscoa Ortodoxa no próximo domingo — não parece intencionado a interromper o lançamento de mísseis e drones sobre a Ucrânia.
Há mil anos, a hierarquia da Igreja Romana, apoiada por alguns grandes mosteiros, começou a favorecer, e por vezes quase a impor — a começar pela França e pela Alemanha — a “Tregua Dei”, a Trégua de Deus. Ela previa que as guerras fossem proibidas durante períodos litúrgicos particularmente significativos do ano, como o Advento e a Quaresma: era uma forma de limitar, tanto quanto possível, o derramamento de sangue e tentar tornar a violência militar um "tabu".
Naturalmente, tal interrupção singular nem sempre foi respeitada e foram frequentes as suas violações. Mas a ideia era interessante. À medida que os Estados se tornavam cada vez mais independentes da Igreja, a "Tregua Dei" desapareceu. Desde 1945, para impedir as guerras, haveria as Nações Unidas, mas a ONU tem sido praticamente impotente, em parte devido ao poder de veto das cinco Grandes Potências (EUA, Reino Unido, França, China e Rússia) no Conselho de Segurança. Assim, apesar de muitos protestos, em fevereiro de 2022 o presidente russo invadiu a Ucrânia, evitando, porém, a palavra "guerra": chamou-a de Operação Militar Especial. E o presidente dos EUA, em colaboração com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, atacou o Irã em fevereiro de 2026, planejando agora arrasá-lo completamente. O movimento islâmico Hezbollah bombardeia Israel, que responde devastando também cidades libanesas. No Sudão, a guerra civil em curso causou o deslocamento de sete milhões de pessoas, causou milhares de mortes e milhares de mulheres estupradas.
Existem também as microguerras, menores, mas extremamente sangrentas: na Nigéria, o grupo extremista islâmico Boko Haram organiza ataques quase todas as semanas contra muçulmanos pacíficos ou cristãos, incendiando igrejas e massacrando fiéis e sacerdotes. Leão XIV tem se manifestado quase diariamente contra essa devastação. Muitos poderosos o ignoram; outros governantes formalmente o obsequiam, mas depois apoiam essa ou aquela guerra. Durante a Semana Santa, Robert Francis Prevost denunciou especificamente as guerras travadas com a suposta, e blasfema, "bênção de Deus". Ele convocou uma vigília de oração pela paz na Basílica de São Pedro, no Vaticano, no próximo sábado.
Todos e todas que se reunirão em devoção terão atuado pela paz ou pela guerra? Possivelmente, mais uma vez, o Bispo de Roma estará sozinho (ou quase) pregando a paz, um dom de Deus, mas também fruto do empenho de pessoas de boa vontade, independentemente de qual for sua fé, ou não fé.
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