Escalada do petróleo já custou mais de US$ 100 bi aos consumidores

Foto: keridjackson/Pixabay

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31 Março 2026

Análise da 350.org com base na guerra evidencia como dependência de combustíveis fósseis enriquece petrolíferas em detrimento da população.

A reportagem é publicada por Climainfo, 30-03-2026.

A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã completou um mês. Nesse período, mais de US$ 100 bilhões foram desviados de pessoas comuns para empresas de petróleo e gás fóssil devido à disparada dos preços desses combustíveis fósseis em decorrência do conflito, mostra uma análise da 350.org. A crise evidencia como a dependência de combustíveis fósseis enriquece poucos em detrimento de muitos.

A análise estima que o aumento dos preços do petróleo e do gás fóssil já custou aos consumidores e às empresas um adicional de US$ 104,2 bilhões a US$ 111,6 bilhões. Os impactos foram severos e imediatos, desde demissões em fábricas têxteis em Bangladesh até o racionamento de combustível no Quênia e a iminente recessão nos EUA, destacam Real News e Green Building Africa.

A análise calcula as perdas decorrentes de picos de preços usando médias ponderadas dos preços desses combustíveis fósseis durante o primeiro mês da guerra, combinadas com os níveis de consumo global e ajustes para incertezas, como a redução da demanda e o racionamento em resposta ao aumento dos preços.

Contudo, a avaliação ainda não inclui os efeitos indiretos mais amplos do choque do petróleo e do gás, como o aumento dos custos de fertilizantes e alimentos, a queda na produção econômica e no emprego, ou a inflação generalizada impulsionada pela volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis. Ou seja, o prejuízo econômico deve ser significativamente maior do que as perdas decorrentes apenas dos preços.

Os US$ 111 bilhões perdidos apenas com o aumento do petróleo e do gás poderiam, em vez disso, gerar energia solar suficiente para abastecer cerca de 40 milhões de residências em países de alto consumo, ou cerca de 150 milhões de residências em contextos de baixo consumo. Esse valor também é equivalente ao financiamento climático internacional anual atual – financiamento público e privado fornecido por países desenvolvidos a países em desenvolvimento no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e do Acordo de Paris.

A 350.org alerta que, sem intervenção urgente, os impactos se agravarão, particularmente para famílias de baixa renda e países que já enfrentam dificuldades econômicas. “No próximo mês, governos se reunirão na Colômbia para discutir como encerrar a era do petróleo, gás e carvão (na Conferência de Santa Marta, que tinha a presença de 45 países confirmada na semana passada). Chega de procrastinação: nossos líderes devem aproveitar este momento para adotar metas vinculativas para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e aumentar o investimento em um futuro energético limpo e seguro para todos”, frisa a organização.

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