Houthis entram em guerra: pressão da defesa dos EUA e ameaça às rotas. Artigo de Gianluca Di Feo

Foto: Anadolu Agency

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30 Março 2026

Milícias xiitas iemenitas estão se juntando ao conflito, apoiando o Irã e o Hezbollah, e ameaçam bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb e intensificar os ataques a alvos já pressionados pelas incursões iranianas.

O artigo é de Gianluca Di Feo, jornalista italiano, publicado por La Repubblica, 28-03-2026.

Eis o artigo. 

Milícias xiitas iemenitas estão se juntando ao conflito, apoiando o Irã e o Hezbollah, e ameaçam bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb e intensificar os ataques a alvos já pressionados pelas incursões iranianas. Enquanto isso, Washington planeja enviar mais 10 mil soldados, que se somarão aos 7 mil já a caminho, elevando o total para 17 mil: um número significativo, mas suficiente apenas para operações de curto prazo.

O primeiro míssil lançado pelos houthis contra Israel marcou o início da quinta semana de guerra, aumentando os temores de que o conflito desencadeado por Trump e Netanyahu esteja cada vez mais fora de controle. As milícias xiitas do Iêmen podem complicar todos os planos da Casa Branca: se bloquearem o Estreito de Bab el-Mandeb, desferirão um golpe final na navegação comercial e poderão também colocar em risco as exportações sauditas de petróleo bruto pelo Mar Vermelho. Mas há também preocupações estritamente militares: os houthis dispõem de mais mísseis e drones para implantar, aumentando o volume de fogo contra alvos que já lutam para repelir as incursões iranianas.

O assalto aos jatos-tanque

Os pátios dos aeroportos onde os americanos estacionaram esquadrões para a ofensiva contra a República Islâmica estão repletos de jatos de todos os tipos, de caças a aviões de carga quadrimotores. Não há hangares à prova de bombas nem áreas de armazenamento subterrâneas: acreditava-se que essas áreas eram imunes a qualquer ameaça. No entanto, após quatro semanas de guerra, os iranianos conseguiram, ontem, atingir novamente bases tão distantes quanto a Base Príncipe Sultan, no coração do deserto saudita. E fizeram isso lançando enxames sincronizados de drones e mísseis balísticos, para dificultar o trabalho das baterias antiaéreas.

O resultado do ataque permanece incerto. Fontes anônimas, citadas pelo Wall Street Journal, falam de doze soldados americanos feridos, dos quais apenas dois estão gravemente feridos, e vários aviões-tanque KC-135 danificados. Imagens de satélite chinesas — divulgadas pela propaganda iraniana — mostram destroços de jatos nas pistas, mas essas fotos são frequentemente manipuladas. Nas últimas semanas, porém, a Guarda Revolucionária Islâmica já havia conseguido atingir o Aeroporto Internacional Príncipe Sultan e — temporariamente, segundo a versão oficial — inutilizado cinco aviões-tanque.

A Força Aérea dos EUA não tem como manter suas aeronaves fora do alcance do Irã: toda a infraestrutura da região foi atacada diversas vezes, destruindo equipamentos e radares avaliados em mais de três bilhões de dólares. O ataque de ontem confirma a incapacidade de proteger adequadamente as instalações mais sensíveis: após quatro semanas, ainda existem brechas na segurança.

A precisão do Pasdaran

Por sua vez, a República Islâmica demonstra não apenas a disponibilidade de armas ocultas, mas sobretudo a capacidade de realizar ataques múltiplos e coordenados. Ontem, alvejaram Israel pelo menos oito vezes, resultando em uma morte e dois feridos: a cúpula protetora é incapaz de neutralizar as ogivas de fragmentação, que liberam dezenas de pequenas submunições durante a trajetória terminal antes do míssil ser abatido.

A decisão de poupar os mísseis interceptores Arrow 3, que desintegram munições fora da atmosfera, evitando explosões de fragmentos, está tendo um alto custo material e psicológico. Mas os estoques dessas armas já teriam atingido seu ponto mais baixo, e as perspectivas de um confronto parecem cada vez mais incertas. Essa escassez também está afetando os estados do Golfo: ontem, todos eles foram alvejados, incluindo Omã. O radar do aeroporto civil da Cidade do Kuwait foi destruído, e instalações industriais nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein foram devastadas.

A ascensão do Pentágono

A Casa Branca parece não ter nenhuma solução à mão. O secretário de Estado Marco Rubio disse que o conflito pode ser vencido sem tropas terrestres. Donald Trump declarou: "Temos 3.554 alvos restantes e podemos eliminá-los muito rapidamente". Como se fosse um videogame, em que o jogo termina ao atingir uma determinada pontuação.

O Secretário da Guerra, Pete Hegseth, pretende aumentar o número de tropas em campo: desde ontem, fala-se em mais 10 mil soldados, incluindo tanques, artilharia e apoio logístico. Somados aos cerca de 7 mil fuzileiros navais e paraquedistas já a caminho do Oriente Médio, o total chegaria a 17 mil: um número considerável, mas suficiente apenas para uma operação de duração limitada. Em 2003, a invasão do Iraque exigiu 150 mil soldados, um país menor e com uma população muito inferior.

Corrida por substitutos

Além de olhar para o futuro, o Pentágono agora precisa correr contra o tempo para substituir as forças destacadas na linha de frente por um mês. Crescem os rumores sobre a possível partida do porta-aviões USS Bush da costa atlântica: ele poderia substituir o USS Ford, que está sendo reparado no porto cretense de Souda após um incêndio devastador, ou talvez reforçar o esquadrão naval, que também inclui o USS Lincoln, no Oceano Índico. Há dias, caças F-35, F-18 e F-16 estão sendo transferidos para bases aéreas no Oriente Médio para permitir que a primeira leva de aeronaves de combate receba manutenção em hangares seguros.

O que não pode ser substituído são as munições usadas: o New York Times estima que a Marinha dos EUA tenha lançado 850 mísseis de cruzeiro Tomahawk. Estima-se que isso represente entre um terço e um quarto do estoque total: 250 são produzidos anualmente, incluindo os destinados à exportação. E essa é a principal arma de dissuasão convencional dos Estados Unidos contra a China e a Rússia: um ativo estratégico perdido em uma campanha planejada de forma superficial e apressada. Isso está causando um número altíssimo de vítimas: a agência de notícias Human Rights Activists News Agency afirma que, das 3.300 mortes causadas pelos bombardeios no Irã, 1.492 eram civis.

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