Falta de dados prejudica análise de chuva extrema em Juiz de Fora

Foto: Bombeiros MG/Divulgação | Agência Brasil

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20 Março 2026

As chuvas extremas que atingiram Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, em fevereiro chegaram ao maior acumulado pluviométrico para o mês desde 1961, quando os dados começaram a ser coletados. Porém, análise dos dados observacionais a partir de modelos climáticos não conseguiu comprovar a influência do aquecimento global na tragédia, conclui um estudo de atribuição da World Weather Attribution (WWA), rede global de cientistas do clima.

A reportagem foi publicada por ClimaInfo, 19-03-2026.

Segundo Regina Rodrigues, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e integrante da WWA, a dificuldade se dá pelo fato de ser um fenômeno muito concentrado. “A era satelital começou em 1979. Quando você tem produtos de análise para trás de 1979, em localizações que não tinham dados de campo, a interpolação fica muito genérica”, disse à Folha. “Vamos dizer que, em 1950, tinha uma estação meteorológica em Belo Horizonte. É um clima completamente diferente do de Juiz de Fora. Só que esse vai ser o ponto mais próximo e vai ser interpolado ali”, completou.

No caso das chuvas extremas no Rio Grande do Sul, em 2024, o evento atingiu boa parte do estado. Então, foi possível à WWA coletar dados de mais de uma estação. O ideal, segundo a especialista, é ter dados por mais tempo e qualidade mais próxima ao local do acontecimento.

Pode ser difícil determinar a responsabilidade humana no evento climático extremo ocorrido em Juiz de Fora em fevereiro. Mas é perfeitamente possível projetar um futuro de aquecimento que aumentará a intensidade dos fenômenos climáticos extremos na região em 7%, detalha o WWA.

Quanto à adaptação climática, o The Conversation apresenta um levantamento sobre mais de 8 mil proposições legislativas da Câmara Municipal de Juiz de Fora diante das chuvas na cidade nos últimos 25 anos. A maioria aparece na forma de requerimentos como limpeza de bueiros, obras de drenagem, contenção de encostas ou realização de vistorias técnicas. Projetos de lei mais estruturados e voltados para uso e ocupação do solo e zoneamento urbano foram pouco recorrentes.

“Esse padrão não é exclusivo de Juiz de Fora. A literatura sobre política municipal mostra que os vereadores tendem a priorizar instrumentos que produzem resultados visíveis para os eleitores, como requerimentos voltados a obras e serviços urbanos”, destaca o texto.

Diante das intensificações dos eventos climáticos extremos, não se pode esperar apenas ações do Executivo. A atuação mais ativa do Legislativo fortalece mecanismos de controle e contribui para que as políticas urbanas incorporem de forma mais consistente a dimensão preventiva.

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