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30 Julho 2017

É uma das periferias mais pobres do Haiti. E ali se concentrou a atenção da Igreja brasileira. Num primeiro momento, criará uma base de apoio que, com o tempo, concentrará as ajudas e a solidariedade de todo um país. A iniciativa, pioneira no gênero, é da Arquidiocese de Juiz de Fora, situada no Estado de Minas Gerais, e seu objetivo é ajudar com um copioso fluxo de solidariedade o país caribenho mais pobre do mundo.

A reportagem é de Rafael Marcoccia, publicada por Tierras de América, 29-07-2017. A tradução é de André Langer.

Nestes dias, viajaram ao Haiti o arcebispo de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira, o bispo da Diocese de Leopoldina, também situada no Estado de Minas Gerais, dom José Eudes Campos do Nascimento, e cinco jovens integrantes da Comunidade Jovens Missionários Continentais.

O primeiro passo foi “entrar em contato com o bispo local e os dois auxiliares que trabalham com ele”, explicou dom Moreira, “que nos receberam e nos indicaram o que seria mais útil, necessário e urgente neste momento”. Dom Campos do Nascimento resume as prioridades: “No princípio, o grupo de Juiz de Fora colaborará nos trabalhos que já estão sendo realizados por diversas obras católicas organizadas pelos Frades Franciscanos da Divina Providência, no Bairro Croix-des-Bouquets, uma das regiões mais carentes de Porto Príncipe”.

Entre as primeiras tarefas estarão a celebração de missas e a preparação de festas, o que requer um número maior de missionários brasileiros. Estes missionários também devem aprender a língua de sinais, visto que há um número significativo de surdos-mudos que participam das missas.

Em segundo lugar, os voluntários devem colaborar com a diocese local na formação bíblico-catequética, já que nos sábados há cerca de 300 jovens que se reúnem para rezar e para compartilhar um momento de entretenimento e convivência.

Em terceiro lugar, devem proporcionar apoio para as atividades sociais e caritativas. Algumas das necessidades mais urgentes da região, que se caracteriza pela extrema pobreza, são a alfabetização de crianças e adultos, a educação para a higiene pessoal e a atenção médica, curativa e preventiva.

A ideia é que depois de um período de adaptação, a base missionária também consiga se ampliar e desenvolver uma ação solidária em outras regiões do país e se converta progressivamente em um ponto de referência para todas as obras brasileiras presentes no Haiti e para todos os brasileiros que queiram colaborar com o país de alguma maneira.

“Queremos formar uma rede de encontro e de solidariedade orientada às necessidades identificadas no campo”, antecipa dom Gil Antônio Moreira. A intenção dos promotores é que a base missionária seja colocada à disposição de todos os voluntários que queiram trabalhar no Haiti para orientá-los para as áreas e as obras que têm maior necessidade de ajuda. Que não são poucas na ilha caribenha.

A situação do país, agravada sobretudo pelo terremoto que há sete anos devastou seu território, continua gravemente precária. Mais de 300 mil edifícios ruíram, incluindo quase todos os equipamentos do governo e a sede das Nações Unidas. O terremoto de 7.2 graus de magnitude na escala Richter, que deixou mais de 200 mil mortos, foi o pior registrado nas Américas.

Entre as vítimas estavam 102 funcionários civis e militares da ONU, incluindo o vice-representante especial do secretário-geral da ONU, o brasileiro Luiz Carlos da Costa. Outras vítimas de nacionalidade brasileira foram a doutora Zilda Arns Neumann, especialista em saúde infantil e fundadora da Pastoral da Criança, e 11 militares que integravam a missão de paz da ONU.

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