Estados Unidos e Israel não têm permissão para criar devastação e chamar isso de paz, alertam organismos ecumênicos

Foto: Fotos Públicas

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

14 Março 2026

Além de lamentarem a ausência de moralidade e legalidade, a arrogância e as ideologias de poder dominantes, oito organismos ecumênicos internacionais “expressam profunda preocupação com os impactos humanitários e sociais do crescente conflito no Oriente Médio e a ameaça que ele representa para a paz e a segurança da região e do mundo”.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

“Como cristãos, não reconhecemos nenhuma licença divina para matar, destruir, deslocar ou ocupar. Proclamamos a dignidade humana e os direitos concedidos por Deus a todas as pessoas. Rejeitamos a lógica brutal da guerra e da dominação. Buscamos o dom da paz”.

Nessa busca, os organismos que emitiram o posicionamento – Conselho Mundial de Igrejas, Conselho de Igrejas do Oriente Médio, Federação Luterana Mundial, Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, Conselho Metodista Mundial, Conferência Mundial Menonita, Conferência Cristã da Ásia, ACT Aliança – pedem às igrejas que orem pela paz no Oriente Médio e em todos os lugares do mundo onde há conflitos e lutas.

Nesse conflito e no contexto global mais amplo, líderes cristãos de diferentes famílias lamentam a “ausência de moralidade e legalidade, a arrogância e as ideologias de poder predominantes, e a substituição da consciência pela conveniência política”. Levantam sérias preocupações quanto à segurança e ao bem-estar dos civis, lembrando a morte de 175 alunas e funcionárias em um ataque de mísseis a uma escola feminina na cidade de Minab, no sul do Irã.

“Os riscos humanitários e o sofrimento inevitavelmente aumentarão quanto mais tempo esse conflito se prolongar”, alertam. Afora isso, o conflito pode resultar em novo período de violência e instabilidade prolongadas em toda a região. Bairros no Líbano sofreram destruição; o Iraque também foi afetado pela escalada regional; ataques retaliatórios iranianos impactaram países do Golfo, como o Chipre e o Azerbaijão.

Esses ataques e suas consequências – como o impacto na vida e nos meios de subsistência de pessoas, comunidades e sociedades – causarão, provavelmente, deslocamentos populacionais numa região que já apresenta um número elevado de deslocados. Os ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos são ilegais sob o direito internacional e constituem uma violação flagrante da Carta da ONU, “criada precisamente para proteger os povos do mundo do flagelo da guerra”.

Ao trilharem o caminho da guerra, “Israel e os Estados Unidos da América não podem ter permissão para, mais uma vez, criar devastação e chamar isso de paz. Devem assumir a responsabilidade pelas consequências de seus atos, incluindo as consequências para o futuro do povo iraniano, cuja liberdade alegam promover”.

A declaração das oito organizações ecumênicas apela por um cessar-fogo imediato, a retomada urgente do diálogo diplomático e políticos por meio dos mecanismos internacionais e regionais, e pelo cumprimento, por todos os Estados, de suas obrigações perante o direito internacional.

Leia mais