07 Março 2026
O novo presidente da Conferência Episcopal Alemã evitou abordar a questão das mulheres no ministério ordenado. É necessário um compromisso claro sobre uma questão crucial para o futuro da Igreja.
A reportagem é de Joachim Frank, publicada por Katholisch.de, 06-03-2026.
Heiner Wilmer está à espera. Das "surpresas do Espírito Santo". Em sua declaração surpreendentemente e, para muitos, desconcertantemente espiritual após sua eleição, o novo presidente da Conferência Episcopal Alemã (DBK) esquivou-se da questão das mulheres no ministério ordenado. A piedosa fórmula tem um duplo significado: Wilmer evita, assim, a armadilha de se comprometer ao assumir o cargo. Ao mesmo tempo, porém, ele sinaliza sua posição: não está ao lado de João Paulo II e seus seguidores. Para eles, não pode e não deve haver mais surpresas a respeito da ordenação de mulheres, visto que o santo Papa a declarou excluída em 1994. Que o Espírito Santo sopre em outro lugar!
Wilmer está avaliando suas opções. Mas ele tem experiência suficiente para saber que não poderá se safar para sempre. Uma declaração clara é necessária (eventualmente) sobre um assunto crucial para o futuro da Igreja – e, como justiça e credibilidade estão em jogo, Wilmer não deve esperar muito.
O novo livro de Annette Jantzen, As Mulheres Ignoradas da Bíblia, revela a extensão em que as mulheres ainda são desvalorizadas e excluídas do lecionário da Igreja. A teóloga demonstra, com vigor e argumentos persuasivos, que os editores — todos homens — foram altamente seletivos e, em última análise, manipuladores na compilação e abreviação de histórias bíblicas nas quais as mulheres desempenham um papel. Trata-se de uma mutilação desastrosa das Sagradas Escrituras com graves consequências. Toda a tradição da profecia feminina, com sua autoridade inerente na Bíblia, se perde nos cultos. Profetas como Débora (Livro dos Juízes) ou Hulda (2 Reis), contemporâneas de Jeremias, Sofonias, Naum e Habacuque, são completamente omitidas do lecionário. As representações de mulheres independentes e autoconfiantes são tão consistentemente omitidas em favor de protagonistas masculinos que às vezes é difícil de acreditar. Por quê? Jantzen oferece uma explicação simples, porém reveladora: "Os homens consideram os homens importantes".
O vigário geral de Essen, Klaus Pfeffer, descreve acertadamente o livro de Jantzen como uma "revelação" e um "convite inspirador para o diálogo com a Bíblia". De fato, mas não é só isso. O tesouro deliberadamente enterrado das tradições femininas precisa ser corajosamente desenterrado, trazido à luz e nutrido na adoração, para que a Igreja, em sua relação com as mulheres, se compare verdadeiramente com aquilo em que se baseia: a Palavra de Deus. Sua amplitude poderá, então, também oferecer espaço para as surpresas de Heiner Wilmer.
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