Uma flotilha também para Cuba: em 21 de março, em Havana, com alimentos e medicamentos. Greta está entre os apoiadores

Foto: Freedom Flotilla Coalition

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24 Fevereiro 2026

A nova missão internacional de solidariedade visa "romper o cerco" imposto à ilha pelos EUA. Ela também conta com o apoio dos Socialistas Democráticos da América, que apoiaram o novo prefeito de Nova York, Mamdani.

A informação é de Alessia Candito, publicada por La Repubblica, 23-02-2026.

Não se trata apenas de uma flotilha. Trata-se de um comboio que chegará a Havana por via aérea no dia 21 de março para entregar itens de primeira necessidade, medicamentos e, sobretudo, apoio à população cubana. Enquanto a arrecadação de ajuda humanitária já começou nos Estados Unidos e em diversos países da América Latina, a missão destinada a apoiar Cuba, sufocada pelo embargo americano, está crescendo. E, assim como a Flotilha Global Sumud, da qual se inspira diretamente, o "Comboio Nossa América" ​​recebeu o apoio não só de Greta Thunberg, mas também dos líderes da DSA, a ala democrata estadunidense que levou à vitória o novo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.

Greta: "Só a solidariedade internacional pode deter Trump e Netanyahu"

A jovem ativista ambiental sueca, que embarcou duas vezes em navios tentando romper o bloqueio a Gaza para entregar medicamentos, bens essenciais e solidariedade, e foi presa duas vezes por forças especiais israelenses que bloquearam a flotilha em incursões em águas internacionais, não poupou palavras. "Apoio este comboio para Cuba não só porque o povo cubano precisa de toda a ajuda possível, mas também", enfatizou, "porque a solidariedade internacional é a única força poderosa o suficiente para confrontar figuras imperialistas como Trump e Netanyahu." Suas palavras ecoam as de David Adler, coordenador da Progressive International, que também estava a bordo da Flotilha Global Sumud e agora está entre os promotores da missão a Cuba. "Trump", disse ele ao apresentar a iniciativa, "está fazendo com Cuba exatamente o que Netanyahu fez com Gaza." É por isso – explicou a coordenação após a primeira reunião pública – que o Comboio parte com um objetivo tanto humanitário quanto político, assim como a Flotilha que, segundo o planejado, deve retornar à Faixa de Gaza nas próximas semanas.

Vejo vocês no dia 21 em Havana

"Juntos, podemos romper o cerco, salvar vidas e defender a causa da autodeterminação cubana", explicou o grupo de coordenação em um comunicado divulgado após a primeira reunião. A campanha de recrutamento de voluntários começou há algumas semanas, "e nunca imaginamos uma resposta tão massiva", explica Adler. Por esse motivo, o que inicialmente foi concebido como uma flotilha se transformou em um comboio para "romper o cerco" por ar e mar. O ponto de encontro para todos é 21 de março em Havana. Por ora, os portos e aeroportos de partida estão sendo mantidos em segredo para evitar bloqueios, prisões ou algo pior, mas mais detalhes podem surgir à medida que a missão se aproximar.

O apoio da DSA de Mamdani

Uma iniciativa — o comitê faz questão de explicar — que não parte de indivíduos isolados, "mas de uma rede de sindicatos, associações, comitês e redes". E agora, entre eles está a DSA, que apoiou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Megan Romer e Ashik Siddique, copresidentes dos Socialistas Democráticos da América, aderiram formalmente à campanha Convoy. Este é um sinal significativo na América de Donald Trump, que, após sua intervenção na Venezuela e a deposição de Maduro, intensificou o embargo que agora sufoca Cuba.

Cuba, sufocada, se agarra ao plano de racionamento

O governo dos EUA não só proibiu a venda de combustível para a ilha caribenha, como também ameaçou com sanções quem o fizer, chegando ao ponto de bloquear vários petroleiros que se dirigiam para lá. Cuba produz no máximo 40 mil barris de petróleo por dia, mas necessita de pelo menos 110. No passado, 35% de suas necessidades eram supridas por importações da Venezuela, mas após a intervenção dos EUA que levou à deposição de Maduro, os embarques cessaram. O mesmo aconteceu com o México, que fornecia à ilha 20% de suas necessidades de petróleo. O resultado é um país de joelhos, com atividades — incluindo as essenciais, como saúde — minimizadas por uma campanha de racionamento de energia que resulta em apagões frequentes, e o transporte público praticamente inexistente, assim como outros serviços. A situação é ainda mais agravada pelo colapso do turismo, uma das principais fontes de renda da ilha, que praticamente desapareceu não só devido à situação interna cada vez mais difícil, mas também pelo medo de uma intervenção armada. "Tudo isso só torna ainda mais necessária uma iniciativa destinada a romper um cerco que está matando a população civil de fome", afirma o Comboio.

Os carregamentos de ajuda anunciados da América Latina e da Espanha

Desde que os EUA forçaram todos os países a interromper o fornecimento de petróleo bruto, Cuba recebeu diversos carregamentos de ajuda de países latino-americanos. Oitocentas toneladas foram enviadas pelo México, por Claudia Sheinbaum; o Chile poderia fazer o mesmo, caso o recém-eleito ultraconservador José Antonio Kast não bloqueie tudo. O Uruguai, anunciou o ministro das Relações Exteriores, Mario Lubetkin, está considerando a possibilidade "após consultar as Nações Unidas" e "como um gesto simbólico e não como um sinal de solidariedade ao governo cubano". A Espanha também anunciou que poderá enviar em breve carregamentos humanitários. Mas, enquanto se aguarda que esses anúncios se concretizem, até mesmo comer está se tornando complicado em Cuba.

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