20 Fevereiro 2026
A primeira reunião está marcada para amanhã de manhã em Washington. Criada para liderar as negociações sobre Gaza e reconstruir a Faixa, a iniciativa posteriormente propôs promover a paz mundial. Isso gerou preocupação na ONU e críticas de muitos países, que se retiraram do grupo.
A reportagem é de Enrico Franceschini, publicada por La Repubblica, 19-02-2026.
O assunto vem sendo discutido há seis meses; sua primeira sessão inaugural acontecerá amanhã, mas o que de fato é e o que pode fazer ainda não está claro. Quando foi apresentado por Donald Trump em setembro passado, o Conselho da Paz parecia uma iniciativa para trazer paz a Gaza e reconstruir a Faixa. Posteriormente, segundo o próprio presidente americano, tornou-se uma espécie de organização alternativa às Nações Unidas, com o objetivo de levar a paz ao mundo inteiro, talvez com a intenção de destituir a ONU, que inicialmente acolheu bem o Conselho. Seus críticos o chamam de "clube de autocratas" ou, numa visão um pouco mais benevolente, de um comitê de negócios a serviço do atual ocupante da Casa Branca.
A entrada para o clube é cara: US$ 1 bilhão a cada três anos, doados à organização. A Itália, juntamente com alguns outros países europeus, optou por participar apenas como "observadora". Veja a seguir como isso aconteceu, quem faz parte e quem não faz.
As etapas
A criação do Conselho de Paz foi anunciada por Trump em setembro de 2025: inicialmente, a ideia era que fosse um mecanismo internacional para facilitar as diversas fases das negociações de paz em Gaza e, posteriormente, reconstruir a Faixa Palestina. Em novembro, uma resolução da ONU aprovou o processo diplomático para Gaza e o Conselho de Paz como sua força motriz. O estabelecimento formal ocorreu, na presença do Presidente da Casa Branca, na cúpula de Davos em janeiro deste ano, ampliando significativamente seu escopo: Trump o descreveu como um órgão internacional liderado pelos Estados Unidos com o objetivo de promover a paz em todo o mundo. "Juntos", disse o presidente, "podemos pôr fim a décadas de derramamento de sangue e ódio, criando uma paz bela, gloriosa e duradoura no Oriente Médio e em todo o planeta."
A primeira reunião oficial do Conselho de Paz, agendada para amanhã em Washington, sede designada da organização, terá como foco Gaza, com o desarmamento do Hamas na pauta, o primeiro passo para o início da segunda fase do cessar-fogo na Faixa. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, participará como observador.
A estrutura
O Conselho da Paz é presidido por Donald Trump, praticamente vitaliciamente: não há data de expiração para o seu cargo, que o magnata pretende manter mesmo depois de deixar a presidência. Ele também tem autoridade exclusiva para nomear um possível sucessor. Por lei, somente Trump tem o poder de convidar países e líderes para se tornarem membros do Conselho da Paz, bem como de criar, modificar ou dissolver entidades e estruturas do Conselho, além de revisar suas regras.
Um nível abaixo do Conselho de Paz está o Conselho Executivo, que lida com diplomacia e investimentos, composto por sete indivíduos, todos nomeados por Trump: Nickolay Madlenov, ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa da Bulgária, designado Alto Representante para Gaza, e depois Secretário de Estado Marco Rubio, os negociadores especiais da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner (genro de Trump), o ex-primeiro-ministro trabalhista britânico Tony Blair, o presidente do Banco Mundial Ayai Banga, o bilionário americano Marc Rowan e o vice-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Robert Gabriel.
Abaixo do Conselho Executivo está o Conselho Executivo de Gaza, que inclui os mesmos membros do Conselho Executivo, além de quatro ministros e plenipotenciários da Turquia, Egito, Catar e Emirados Árabes Unidos, um bilionário israelense e um coordenador da ONU para o Oriente Médio. O Conselho Executivo de Gaza, por sua vez, dirige o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), um comitê de 15 membros, todos tecnocratas palestinos independentes, que deverá estabelecer a administração civil de Gaza assim que o desarmamento do Hamas e a retirada gradual do exército israelense forem concluídos. Este comitê é chefiado, como Comissário-Chefe, por Ali Shaath, um ex-funcionário de 67 anos da Autoridade Palestina (o governo dos territórios autônomos palestinos na Cisjordânia desde o início do processo de paz na década de 1990), onde era responsável por transporte e planejamento. Shaath possui doutorado em engenharia pela Universidade de Belfast.
Países membros
Os membros iniciais do Conselho da Paz, em ordem alfabética, são: Argentina, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Bulgária, Hungria, Indonésia, Jordânia, Cazaquistão, Kosovo, Marrocos, Mongólia, Paquistão, Paraguai, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Uzbequistão. El Salvador e Israel foram adicionados posteriormente.
Outros seis países manifestaram interesse em aderir ao Conselho da Paz: Albânia, Bielorrússia, Camboja, Egito, Kuwait e Vietnã. E meia dúzia de países concordaram em participar, mas apenas como "observadores": Chipre, República Tcheca, Grécia, Itália, México e Romênia.
Trump os convidou para integrar o Conselho, mas eles ainda não deram uma resposta definitiva: União Europeia, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Filipinas, Finlândia, Japão, Índia, Países Baixos, Omã, Portugal, Rússia, Singapura, Suíça, Tailândia e Ucrânia. O Canadá havia sido convidado, mas Trump retirou o convite após as críticas implícitas do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, aos Estados Unidos em seu discurso na Cúpula de Davos.
Por fim, diversos países convidados por Trump para participar do Conselho de Paz já recusaram o convite: Áustria, Croácia, França, Alemanha, Irlanda, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Reino Unido, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia e Vaticano.
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