15 Janeiro 2026
O órgão recebeu sinal verde tanto da Autoridade Palestina quanto do Hamas e deverá supervisionar os trabalhos de reconstrução na Faixa de Gaza.
A informação é de Francesca Caferri, publicada por La Repubblica, 15-01-2026.
O comitê de quinze especialistas que, segundo os Estados Unidos, governará Gaza na fase pós-guerra se reunirá pela primeira vez esta manhã na Embaixada Americana no Cairo. A seleção dos membros do grupo foi anunciada por Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, como o início oficial da "fase dois" do plano de Trump que levou a um cessar-fogo na Faixa em outubro: "Vamos avançar para a desmilitarização, governança tecnocrática e reconstrução", escreveu Witkoff em uma publicação no X. Ele não explicou como o Hamas — que retomou o controle de grandes áreas da Faixa desde outubro — deveria ser desmilitarizado.
Witkoff não revelou nomes, mas a lista divulgada pela Reuters — e confirmada à Repubblica por fontes palestinas — inclui diversos tecnocratas de Gaza: à frente do governo tecnocrático está Ali Shaath, ex-vice-ministro dos Transportes do governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Há também especialistas em segurança, saúde, agricultura e recursos hídricos: nomes bem recebidos tanto pelo Hamas (com quem todos os que trabalharam em Gaza nos últimos anos tiveram que se reportar ou interagir de alguma forma) quanto pelo governo de Ramallah. Não é coincidência que ambos os centros de poder palestinos tenham aprovado os nomes da lista. Uma mulher está na lista: Hana Tarzi, advogada e ativista, responsável pela pasta da sociedade civil e assuntos femininos.
Uma "técnica" — como se diria na Itália — como muitas das escolhidas: uma escolha que, na esperança de muitos observadores, indica o caminho a ser trilhado e que até agora satisfez aqueles que pediram que o futuro da Faixa de Gaza fosse deixado nas mãos de quem a conhece e já trabalhou lá. "Gaza está entrando numa fase que prioriza a reconstrução em detrimento da militarização, as instituições em detrimento das facções, a prestação de serviços em detrimento dos slogans, a recuperação econômica em detrimento da dependência, a dignidade, a responsabilidade e a vida normal em detrimento do estado de emergência permanente", comenta o analista palestino Samer Sinijlavi.
No entanto, resta saber o quanto essas pessoas realmente conseguirão fazer: entre as principais incógnitas estão o papel que o Hamas exigirá na governança da Faixa de Gaza, o controle dos bilhões de dólares em financiamento que serão usados para limpar o enclave e remover os escombros antes do início da reconstrução; e as relações com Israel, que ontem não comentou a lista divulgada pela imprensa.
Os membros do comitê técnico foram selecionados por Nickolay Mladenov, ex-enviado da ONU para o Oriente Médio, que — segundo relatos da imprensa — será convocado nos próximos meses para coordenar o Conselho da Paz, o órgão internacional que supervisionará a reconstrução de Gaza. Trump anunciará os membros do Conselho nos próximos dias: eles incluirão representantes de países europeus (incluindo a Itália) e árabes, provavelmente em nível de chefes de Estado e de governo. A primeira reunião está prevista para os próximos dias em Davos, na Suíça.
A decisão de avançar para a "fase dois" do plano de Trump foi criticada pelas famílias de ex-reféns israelenses que permaneceram em cativeiro em Gaza por um longo período. Nesse sentido, os pais de Ran Gvili — o policial cujo corpo é o último dos reféns mortos em 7 de outubro de 2023 ainda em Gaza — reuniram-se com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que lhes garantiu que não haverá retirada do exército israelense da Faixa de Gaza nem a abertura da passagem de Rafah — que liga o enclave ao Egito — para a entrada e saída de palestinos até que os restos mortais de seu filho sejam repatriados. Isso representa mais uma incerteza em relação à já complexa "fase dois".
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