15 Janeiro 2026
O convite foi feito durante um encontro com o Santo Padre, no qual discutiram missão, sinodalidade e cooperação entre as Igrejas.
A reportagem é de Micaela Alejandra Díaz, publicada por ADN Celam e reproduzida por Religión Digital, 14-01-2026.
O Papa Leão XIV recebeu os membros da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial no Vaticano, na segunda-feira, 12 de janeiro, em uma reunião onde discutiram missão, sinodalidade e cooperação entre as Igrejas, conforme relatado pelo site oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Durante a audiência, os bispos apresentaram ao Santo Padre o trabalho realizado pela Comissão no âmbito da CNBB e compartilharam os principais desafios que a ação missionária da Igreja enfrenta hoje no Brasil e no continente americano.
Na saudação de abertura, o presidente da Comissão Episcopal de Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, Dom Maurício da Silva Jardim, bispo da diocese de Rondonópolis-Guiratinga (MT), juntamente com Dom Esmeraldo Barreto de Farias, arcebispo emérito de Araçuaí (MG); Monsenhor Luiz Fernando Lisboa, bispo de Cachoeiro do Itapemirim (ES); e Dom Paolo Andreolli, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém (PA), agradeceu “ao Pontífice por nos acolher neste momento privilegiado de audiência e intercâmbio missionário".
Evangelização decididamente missionária
Comissão Missionária do Brasil com o Papa Leão XIV. (Foto: Vatican Media)
Segundo a CNBB, os bispos também expressaram sua gratidão ao Papa Leão XIV “pelo tema do trabalho missionário e da sinodalidade que ocupou o centro do Consistório” que ele convocou, bem como por ter iniciado “ o ciclo de catequese sobre o Concílio Vaticano II, no qual Sua Santidade destaca o Concílio como profecia e relevância para redescobrir a beleza e a importância deste evento eclesial”.
Nesse contexto, os membros da Comissão afirmaram que o caminho proposto pelo Papa está em consonância com o trabalho que realizam. “Todo esse processo está em linha com o trabalho da nossa comissão episcopal.”
Eles também listaram os desafios que marcam a ação missionária atual: “nossa formação pluralista, étnica e cultural; as novas subjetividades; o compromisso com uma evangelização decididamente missionária; o reconhecimento de novas identidades religiosas; o empobrecimento e o abandono de nossa casa comum, bem como os desafios no ambiente digital”.
Convite para o 7º Congresso Missionário Americano
Os bispos aproveitaram a audiência para convidar formalmente o Papa Leão XIV a participar do VII Congresso Missionário Americano (CAM 7), que será realizado de 14 a 18 de novembro de 2029 na Arquidiocese de Curitiba (PR).
O Congresso será realizado sob o lema “América em movimento: Povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo” e tem como objetivo “encorajar as Igrejas particulares da América, fortalecendo a experiência sinodal, a cooperarem decisivamente com a Missio Dei nas fronteiras”.
Durante o encontro, os membros apresentaram ao Papa a identidade e a missão da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial, organização que integra a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e atua em comunhão com as demais 12 comissões episcopais da Conferência. Explicaram que a Comissão desenvolve seu trabalho em três frentes específicas: Animação Missionária, Cooperação Intereclesial e Pastoral aos Brasileiros no Exterior, coordenando iniciativas que buscam fortalecer a comunhão eclesial e a consciência missionária.
Programa Missionário Nacional
A CNBB informou que um dos pontos apresentados ao Santo Padre foi o Programa Missionário Nacional, definido como “um instrumento que a Igreja no Brasil oferece às Igrejas locais como resposta aos desafios que exigem respostas/orientação à luz da Palavra de Deus, dos Documentos do Magistério e da Teologia”.
Na ocasião, os bispos compartilharam a realidade da formação sacerdotal no país. Atualmente, o Brasil conta com mais de 8.041 seminaristas, dos quais 5.317 são diocesanos e 2.724 são religiosos. Contudo, ressaltaram que esse número é “relativamente pequeno considerando a extensão territorial brasileira”, o que torna a formação um desafio constante para as dioceses, as congregações religiosas e a própria Conferência Episcopal.
Um dos principais desafios identificados é ajudar os seminaristas a descobrir "que a Missão é um eixo fundamental da vida cristã e, ainda mais, do futuro sacerdócio que assumirão por amor a Deus e à Igreja".
Projeto Igrejas Irmãs
Outro tema central abordado foi o Projeto Igrejas Irmãs, apresentado como “uma expressão concreta da comunhão e da missão da Igreja no Brasil”. Inspirado pelo Concílio Vaticano II, este projeto promove a cooperação missionária entre as igrejas locais, fomentando a troca de dons, pessoas e recursos, especialmente em contextos diversos e desafiadores.
Esta iniciativa assegura que a cooperação missionária “não seja improvisada, mas vivida com clareza, corresponsabilidade, transparência e fidelidade à Missio Dei”, consolidando-se como “um caminho seguro de comunhão, conversão pastoral e uma Igreja em movimento, a serviço do Reino de Deus”.
Raízes continentais dos Congressos Missionários
As informações publicadas indicam que os Congressos Missionários Americanos tiveram origem nos Congressos Missionários Latino-Americanos (COMLA), realizados pela primeira vez em 1977 no México. Esses encontros são promovidos e organizados pelas Pontifícias Obras Missionárias e sediados pelas Conferências Episcopais e pelas Igrejas locais das Américas.
Trata-se de um evento eclesial continental que reúne representantes de 22 países, membros do Dicastério para a Evangelização e o Legado Pontifício, consolidando-se como um espaço de comunhão, discernimento e projeção missionária para a Igreja do continente.
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