Um ano do Documento Final do Sínodo Mundial: um presente em busca de aplicação

Foto: Vatican News

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27 Outubro 2025

Durante três anos, a Igreja Católica percorreu um caminho sinodal até que o Documento Final do Sínodo Mundial foi aprovado. Há exatamente um ano, o Papa Francisco promulgou o texto com um gesto histórico. Mas o processo ainda está longe de ser concluído.

A informação é de Christoph Brüwer, publicada por katolisch.de, 26-10-2025. 

“O documento sobre o qual votamos é um triplo presente.” Assim o Papa Francisco definiu o texto em seu discurso de encerramento em 26-10-2024. Segundo ele, trata-se de um presente para si mesmo como papa, para os fiéis e para o Espírito Santo. Antes disso, os membros do Sínodo haviam aprovado o documento final — colhendo, nas palavras do pontífice, “os frutos de anos” de trabalho.

Histórica também foi a decisão que Francisco tomou exatamente há um ano: não redigiria uma exortação apostólica, pois “basta o que aprovamos”. Publicou o texto e o incorporou ao magistério ordinário da Igreja, reconhecendo assim “o valor do caminho sinodal concluído”.

O processo está longe de terminar

O documento oferece orientações para reformas em diversas áreas da vida eclesial. Os padres e mães sinodais defenderam maior autonomia para decisões descentralizadas, medidas mais eficazes de prevenção de abusos e participação dos leigos na escolha de bispos. Também insistiram na necessidade de responsabilização dos bispos. A questão do diaconato feminino permaneceu em aberto. O tom geral do texto, de cerca de 70 páginas, é a renovação sinodal da Igreja — antes de tudo, uma questão de estilo e método.

Tradução e disponibilização

O Documento Final do Sínodo Mundial já foi traduzido para o alemão e está disponível no site oficial do Sínodo.

A fase de implementação

Embora chamado de “Documento Final”, o texto aprovado há um ano não encerrou o processo sinodal global iniciado por Francisco em 2021. Desde sua publicação, a Igreja Católica entrou oficialmente na fase de implementação. O próprio papa delineou o cronograma ainda no hospital. No entanto, não chegou a promulgar pessoalmente as diretrizes para essa etapa: faleceu na segunda-feira de Páscoa.

Preocupações após a morte do papa

“Seu testemunho do amor misericordioso de Deus, sua proximidade com o povo de Deus, seu compromisso com o diálogo, a fraternidade, a justiça e a paz, bem como o processo sinodal que trilhamos juntos, deixaram marcas profundas que devemos honrar e continuar”, escreveu o secretariado do Sínodo em mensagem de gratidão pela morte do papa. Após o falecimento de Francisco, surgiram preocupações sobre o futuro do processo sinodal global — concebido por ele para ampliar a participação de todos na Igreja.

Mas o Papa Leão XIV, em seu primeiro discurso na Bênção Urbi et Orbi, falou de uma “Igreja sinodal” e deu continuidade ao caminho iniciado por Francisco. Confirmou o cronograma da fase de implementação e aprovou as diretrizes. O novo papa conhece bem o processo sinodal: como prefeito do Dicastério para os Bispos, o então cardeal Robert Francis Prevost participou das duas sessões do Sínodo no Vaticano e votou, um ano atrás, o documento.

Situação na Alemanha

Enquanto a cúpula da Igreja mudou, a situação na Alemanha permanece estável. O Documento Final não provocou transformações profundas — em parte porque é pouco concreto. Isso se deve provavelmente à expectativa de que Francisco elaboraria uma exortação própria, detalhando as propostas sinodais. Por isso, o texto buscou incluir o maior número possível de ideias e sugestões.

Muitas das reformas propostas pelo Sínodo Mundial também foram discutidas no Caminho Sinodal Alemão — em alguns pontos, com decisões até mais ousadas, como a participação dos leigos na escolha de bispos, a pregação por leigos, as assembleias sinodais e a presença de mulheres em ministérios sacramentais.

Mudanças estruturais

As transformações mais visíveis ocorrem no plano estrutural: várias dioceses alemãs criaram equipes sinodais, estão planejando fazê-lo ou adaptando seus conselhos em sentido mais participativo. O documento do Sínodo Mundial destaca justamente esse ponto:

“Os órgãos participativos representam uma das áreas mais promissoras para uma rápida aplicação das diretrizes sinodais, a fim de produzir mudanças perceptíveis em pouco tempo” (nº 103).

De sexta a domingo, membros dessas equipes sinodais e participativas participaram, em Roma, de um evento do Ano Santo, recordando o encerramento da segunda sessão do Sínodo Mundial, ocorrida um ano antes. Além das celebrações, houve oficinas e um encontro com Leão XIV, cujo tema central foi a implementação dos resultados sinodais. Representantes de sete regiões apresentaram ao pontífice o andamento de seus trabalhos.

“As Igrejas locais devem encontrar os caminhos adequados”

O documento também enfatiza que o êxito depende da ação concreta:

“Sem mudanças práticas e imediatas, a visão de uma Igreja sinodal não será crível, e isso afastará aqueles membros do povo de Deus que encontraram no caminho sinodal força e esperança. As Igrejas locais devem encontrar os meios adequados para implementar essas mudanças” (nº 94).

Ainda há algum tempo: a primeira fase de implementação termina em dezembro de 2026. Após assembleias avaliativas nas diversas instâncias eclesiais, uma nova reunião será realizada no Vaticano em outubro de 2028. Talvez o Papa Leão XIV publique então uma exortação pós-sinodal — como um presente a seu predecessor e ao povo fiel.

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