Antonio Patriota, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil: "Os eleitores não tolerarão um presidente que perdoe Bolsonaro"

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil | FotosPúblicas

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22 Outubro 2025

O atual embaixador no Reino Unido diz que o mandato do líder de extrema-direita foi um pesadelo para o país, mas também um "antídoto" que fortaleceu a democracia.

A informação é de Lorena Delorenzo, publicada por El País, 20-10-2025

É impossível falar do futuro do planeta sem mencionar o Brasil. Seja por sua extensão continental, seja porque 20% do oxigênio do planeta é produzido em suas terras, o Brasil é o país que produz 20%. Para se aprofundar nos desafios internos e diplomáticos do país latino-americano, o ex-diretor do El País Javier Moreno e o ex-chanceler brasileiro Antonio Patriota, atual embaixador no Reino Unido, participaram nesta segunda-feira do fórum World in Progress (WIP), uma iniciativa do Grupo Prisa que realizou sua segunda edição no Palau de Congresos, em Barcelona. "Continuamos muito vigilantes contra aqueles que ameaçam nossas instituições e as próximas eleições", afirmou o diplomata brasileiro.

O embaixador argumentou que, desde a independência, o Brasil investe na consolidação de uma diplomacia profissional e de alto nível, que, apesar da ditadura militar e dos ataques do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, continua em destaque. A discussão abordou questões como a relevância e a influência do Brasil em um mundo marcado por conflitos, e Patriota aproveitou a oportunidade para reforçar a força do Itamaraty como instituição.

O ex-presidente Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão em setembro passado e aguarda uma possível anistia, que, segundo Antonio Patriota, dificilmente ocorrerá. "Estamos vendo grandes manifestações em todo o país e pesquisas recentes indicam que o eleitorado brasileiro não toleraria um presidente concedendo anistia a Bolsonaro", afirmou o diplomata.

Por outro lado, a histórica relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos vive um nível de hostilidade sem precedentes após o anúncio das novas tarifas impostas por Trump, um verdadeiro golpe para a diplomacia brasileira. De Washington, Eduardo Bolsonaro — filho do ex-presidente brasileiro — que, segundo Antonio Patriota, foi proposto por seu pai como possível embaixador durante seu mandato, manteve contato direto com autoridades americanas para promover o aumento das tarifas como forma de pressão financeira sobre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então, a diplomacia brasileira intensificou seus esforços para restabelecer o diálogo com o novo governo republicano.

Questionado sobre o risco do retorno de Bolsonaro, Patriota observou que entre 60% e 70% da população rejeita a proposta de anistia ao ex-líder autoritário e considerou o governo do líder de extrema-direita "como um antídoto". "Foi um pesadelo em muitos aspectos, mas talvez tenha incutido na sociedade brasileira uma maior consciência da necessidade de defender a democracia", enfatizou.

O país latino-americano, além dos desafios que enfrenta em sua democracia, também busca um papel de liderança nas discussões globais. Em novembro próximo, sediará a 30ª Conferência das Partes (COP30), a maior cúpula internacional contra as mudanças climáticas. Este encontro na cidade de Belém, no cenário simbólico perfeito da Amazônia, acontece em um momento de grande expectativa para o Brasil como protagonista na discussão climática global, com a urgência que o tema exige.

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