52ª Assembleia Regional Norte 1 do Brasil: sinais de sinodalidade presentes nas Igrejas locais

Foto: CNBB

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19 Setembro 2025

  • Não se pode ignorar que este é um processo que exige assimilação, um exercício de caminhar juntos e viver em comunhão.

  • A Assembleia Regional Norte 1 está sendo uma oportunidade para contribuir com elementos presentes nas igrejas locais, que ajudam a concretizar as três conversões necessárias propostas pelo Sínodo: de relacionamentos, de processos e de vínculos.

  • Os participantes enfatizaram a necessidade de uma evangelização sinodal, baseada na espiritualidade encarnada e na escuta do Espírito Santo.

A informação é de Luis Miguel Modino, publicada por Religión Digital, 17-09-2025.

Em uma Igreja sinodal, o caminhar conjunto se fortalece à medida que se constrói um caminho comum, com a participação de todos os batizados. Avançar nesse caminho, que não é novidade para as nove Igrejas que a compõem, é a proposta da 52ª Assembleia Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), que será realizada em Manaus de 15 a 17 de setembro de 2025, com mais de 70 participantes.

Assimilar, caminhar, viver a comunhão

No intercâmbio entre as Igrejas, percebem-se esses sinais de sinodalidade, mas também alguns desafios. Não podemos ignorar que este é um processo que exige assimilação, um exercício de caminhar juntos e viver em comunhão. Daí a necessidade de aprofundar uma formação que nos ajude a compreender o Documento Final do Sínodo da Sinodalidade, a escutar dentro e fora dos ambientes eclesiais, a valorizar as contribuições dos povos indígenas, as vozes das mulheres e dos jovens e, em suma, o papel dos leigos.

Uma Igreja que se torna testemunha quando cuida dos vulneráveis, das vítimas de abuso e tráfico de pessoas, dos migrantes, dos doentes, dos descartados. Uma Igreja comprometida com pequenas comunidades, lugares de encontro, celebração, partilha da Palavra em círculos bíblicos, alcance missionário e uma ampla variedade de ministérios confiados a leigos e leigas. Nesse sentido, é interessante ver áreas missionárias confiadas a mulheres, um exemplo do avanço da liderança feminina na tomada de decisões, um elemento proeminente na Igreja sinodal. Junto a isso, há a criação de equipes sinodais diocesanas, onde o bispo, os padres, as religiosas e os membros do laicato discernem juntos o caminho a seguir.

Desafios a enfrentar

Mas também uma Igreja que enfrenta os desafios das longas distâncias e da insegurança logística. O desafio de avançar na conversão, na escuta, no caminho ecumênico e inter-religioso com vistas a ações sociais e ecológicas comuns, a uma maior presença nos momentos de sofrimento das pessoas e nos lugares mais remotos, a uma escuta verdadeira que leve ao discernimento pastoral, a viver uma espiritualidade sinodal na vida cotidiana. Esta Igreja sinodal enfrenta os desafios da pastoral urbana ou do mundo digital, onde esse caminho em conjunto é mais complexo.

Para acompanhar a vida das comunidades, paróquias e igrejas locais, o Seminário São José da Arquidiocese de Manaus, um sinal de sinodalidade, forma padres para a Amazônia. Quarenta e sete jovens de diversas igrejas locais são acompanhados pela equipe de formação, que os ajuda a descobrir os elementos que devem moldar a vida dos futuros padres. Um sinal de sinodalidade também pode ser visto no Tribunal Eclesiástico, que atende às nove igrejas locais e prioriza ser um espaço de escuta.

Orientações gerais para a ação evangelizadora

Uma presença de escuta na construção das Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, um caminho iniciado em 2022, enriquecido pelo Sínodo da Sinodalidade e pelas contribuições de muitos atores, incluindo os do Regional Norte 1 da CNBB. O objetivo é construir um verdadeiro instrumento de comunhão e ação evangelizadora em continuidade com o Sínodo da Sinodalidade. A Assembleia Regional Norte 1 é uma oportunidade para contribuir com elementos presentes nas igrejas locais para ajudar a concretizar as três conversões necessárias propostas pelo Sínodo: de relações, de processos e de vínculos.

Os participantes da assembleia enfatizaram a necessidade de uma evangelização sinodal baseada na espiritualidade encarnada e na escuta do Espírito Santo, que promova uma formação integral que abranja todas as dimensões, com comunidades que proclamem e defendam a vida. Junto a isso, a caridade pastoral, a escuta, o diálogo e a conversa espiritual são essenciais. É necessário abraçar uma conversão das relações com base na missão, que se fundamenta no batismo, que deve auxiliar no protagonismo dos leigos, no incentivo à ministerialidade e na presença das mulheres nos espaços de decisão, inclusive nos níveis mais altos. Isso porque a missão pertence a todo o Povo de Deus.

A comunidade como expressão da vida eclesial

O desafio é concretizar uma Igreja mais sinodal do que sacramental, o que exige a revisão dos processos de acompanhamento e uma formação sinodal que gere um sentido de pertença eclesial que se realize na vida comunitária. O discernimento em todas as suas dimensões permite-nos avançar no caminho da sinodalidade. A escolha por Jesus deve ser entendida como a base de todo processo, algo que está presente na iniciação à vida cristã e na família, fundamento de toda a realidade.

Abraçar as dinâmicas da inculturação e da interculturalidade torna-se uma necessidade, assim como o diálogo com as novas expressões juvenis. A Palavra de Deus deve ser colocada no centro, como fundamento da espiritualidade bíblica e de uma liturgia comprometida com a vida e a ecologia integral. Tudo isso acontece no seio de uma comunidade, com vistas ao fortalecimento da comunhão, de modo a compreender que a missão deve levar em conta a diversidade de cada lugar.

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