Teóloga: redes conservadoras estão transformando os EUA em uma teoautocracia

Foto: Andrew Patrick Photo/Pexels

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04 Setembro 2025

Democracia em perigo: a teóloga Hille Haker leciona em Chicago e acompanha de perto os acontecimentos nos EUA. Ela vê católicos ultraconservadores em posições-chave de poder – e uma reestruturação do sistema.

A reportagem é publicada por Katholisch, 03-09-2025.

Redes reacionárias estão transformando a democracia americana em uma teoautocracia por convicção religiosa, afirma a teóloga Hille Haker. A professora de ética teológica da Universidade Loyola, em Chicago, acompanha de perto os acontecimentos nos EUA. Ela escreve na edição atual da revista "Publik Forum" (quarta-feira) que os católicos ultraconservadores fazem parte de um movimento inter-religioso que se engaja no revisionismo histórico e promove "a transformação da democracia americana em uma teoautocracia com Trump no comando".

Por trás disso está a visão de uma sociedade pós-democrática liderada por uma elite tecnológica branca, analisa Haker. "O revisionismo histórico de Trump é imperialista, racista e sexista: diz respeito à reivindicação geopolítica dos Estados Unidos sobre todo o continente norte-americano, à história da escravidão e a uma ordem de gênero tradicional combinada com ideias eugênicas de promoção da descendência branca", escreve o teólogo.

Ela explica que, além de grande parte da Conferência Episcopal Americana, três outros centros de poder católico estão intimamente ligados ao governo Trump. Entre eles, movimentos como o Opus Dei, os Cavaleiros de Malta e os Cavaleiros de Colombo. Haker também cita organizações não governamentais como a Heritage Foundation e o NAPA Institute, bem como a associação jurídica Federalist Society. Esta última, segundo ela, é um campo de treinamento para juízes e um "impulsionador para a nomeação de juízes vitalícios".

"Perversão da mensagem cristã"

A teóloga explica que os pioneiros dessa mudança desconfiavam não apenas da modernidade, mas também da democracia. Desconfiavam do liberalismo porque este colocava o indivíduo no centro do julgamento moral, declarava a fé uma questão privada e entendia a sociedade como um contrato entre indivíduos livres e autodeterminados.

Haker resume que a redução de benefícios sociais, as deportações e a xenofobia racista, bem como a discussão sobre o "veneno da empatia", estão pervertendo a mensagem cristã. A teóloga se baseia no Papa Leão XIV: "Esperamos que ele encontre palavras claras e as acompanhe com ações que façam justiça às aspirações do cristianismo." (KNA)

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