29 Agosto 2025
"E não é por acaso que tudo parta do Mediterrâneo. O mar que separa e une, que há anos engole vidas humanas e agora se torna teatro de solidariedade. A flotilha percorrerá rotas normalmente percorridas por guerras, lucros e tráficos: pela primeira vez, será uma frota civil a reclamar espaço, vida e dignidade".
O artigo é de Maria Elena Delia, representante italiana do Movimento Global por Gaza, publicado por il manifesto, 28-08-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Enquanto há quase dois anos os governos europeus continuam a apoiar ativa ou indiferentemente o extermínio da população de Gaza, no final de agosto, dezenas de embarcações civis se preparam para zarpar de vários portos mediterrâneos para chegar à Faixa de Gaza. É a Flotilha Global Sumud, a maior flotilha civil e não violenta já organizada, um ato de solidariedade que também pretende ser uma declaração forte e clara da sociedade civil: o cerco de Gaza é um crime e o massacre em curso é um genocídio, e as mulheres e os homens do mundo não pretendem ser cúmplices.
O termo "sumud", que em árabe significa "resistência firme", não foi escolhido por acaso. É o fio condutor que une milhares de ativistas, médicos, artistas, políticos e "simples" cidadãos que aderiram a esse chamado à ação, literalmente de todos os cantos do planeta.
A Flotilha Global Sumud se insere em um quadro mais amplo, o do Movimento Global para Gaza, uma grande rede internacional de solidariedade que, ao lado do Comboio Sumud, do Sumud Nusantara e de vários ativistas da Flotilha da Liberdade, sentiu a urgência de planejar essa importante iniciativa em apoio a Gaza. Levará consigo ajuda humanitária, tanto alimentar como farmacológica, mas também, e acima de tudo, uma explícita vontade política: romper o cerco ilegal e exigir a reabertura imediata dos corredores humanitários garantidos pelo direito internacional e bloqueados por Israel.
As duas partidas programadas — a primeira de Barcelona e Génova, em 31 de agosto, a segunda de Túnis e da Sicília, em 4 de setembro — visam fazer convergir dezenas de barcos para as costas de Gaza, criando uma frente marítima coordenada. Farão isso legalmente, navegando em águas internacionais, com tripulações heterogêneas que incluem personalidades conhecidas como Greta Thunberg, médicos, advogados, jornalistas e, sobretudo, centenas de pessoas de diferentes línguas, idades e religiões, unidas por um único objetivo: justiça e liberdade para Gaza. Os participantes dessa flotilha sabem muito bem que correm o risco de serem parados, presos ou repelidos. Mas também sabem que não agir não é mais uma opção aceitável. Negociações, moções e resoluções das Nações Unidas foram e continuam sendo ignoradas. Após meses de bombardeios e do uso sistemático da fome como arma de guerra, a população de Gaza continua sendo vítima de um genocídio, transmitido ao vivo para o mundo todo. Mas o povo palestino não precisa ser "salvo" por nós; ele precisa ser posto em condições de poder escolher e decidir autonomamente e autodeterminar seu próprio futuro.
Nosso dever é exigir veementemente que o direito internacional seja respeitado, que a ocupação ilegal e o regime colonial israelense sejam parados e sancionados. Nosso dever é afirmar claramente o fracasso da União Europeia, dos governos árabes cúmplices e das instituições internacionais que normalizaram o apartheid e a destruição sistemática de um povo.
Convidamos todos aqueles que se preocupam não apenas com os direitos dos palestinos, mas com aqueles de cada ser humano, a nos apoiar de todas as maneiras possíveis. Os barcos zarparão para dizer que Gaza não está sozinha. E não é por acaso que tudo parta do Mediterrâneo. O mar que separa e une, que há anos engole vidas humanas e agora se torna teatro de solidariedade. A flotilha percorrerá rotas normalmente percorridas por guerras, lucros e tráficos: pela primeira vez, será uma frota civil a reclamar espaço, vida e dignidade.
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