Movimentos populares da América Latina se reúnem para refletir e articular-se a partir do legado de Francisco

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14 Mai 2025

  • No dia 8 de maio, na sede do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), foi realizado o Encontro dos Movimentos Sociais da América Latina.

  • Os organizadores quiseram marcar este espaço de reflexão agradecendo ao Papa Bergoglio: "Inspirado pelo Papa Francisco, o CELAM reafirma seu compromisso com os movimentos populares como atores essenciais nos processos de transformação social".

  • O padre Francisco Hernández, diretor da Ceprap, referiu-se ao papel estratégico do trabalho em rede: "Uma ferramenta fundamental para construir uma sociedade mais justa, compassiva, fraterna e solidária".

  • O evento reuniu catadores, camponeses, trabalhadores informais, cooperativas e coletivos da Argentina, Brasil, Colômbia e outros países, em um diálogo aprofundado sobre os desafios comuns que o continente enfrenta.

A informação é publicada por Religión Digital, 13-05-2025.

No dia 8 de maio, na sede do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), foi realizado o Encontro dos Movimentos Sociais da América Latina, um dia de discernimento político, espiritual e organizacional que reuniu líderes de organizações populares da região.

Seus organizadores quiseram marcar este espaço de reflexão destacando a melhoria grata ao Papa Francisco e o compromisso com seu chamado a uma Igreja em saída, próxima dos pobres.

CELAM como casa aberta ao povo

O padre Pedro Brasescco, vice‑secretário geral do CELAM, foi o encarregado de dar as boas‑vindas aos participantes, observando: "Queremos que esta casa não pertença apenas aos bispos, mas a toda a Igreja da América Latina e do Caribe. Por isso, suas portas estão abertas para que os povos se encontrem e caminhem juntos".

O diretor ressaltou ainda que, inspirado pelo Papa Francisco, o CELAM reafirma seu compromisso com os movimentos populares como atores essenciais nos processos de transformação social. "Continuamos a acompanhá‑los, porque sabemos que juntos podemos ir mais longe", disse.

Tecendo redes de fé e ação coletiva

Por sua vez, o padre Francisco Hernández, diretor do Centro de Programas e Redes de Ação Pastoral (Ceprap), referiu‑se ao papel estratégico do trabalho em rede: "O trabalho em rede surge como uma ferramenta fundamental para construir uma sociedade mais justa, compassiva, fraterna e solidária".

De uma perspectiva pastoral e comprometida, Hernández insistiu que os desafios sociais exigem uma resposta articulada que integre atores eclesiais, sociais e populares. Ele também observou que não estamos em tempos de esforços solitários, mas de comunhão e corresponsabilidade: "Podemos transcender fronteiras e construir fraternidade se tecermos laços de confiança e colaboração".

Da mesma forma, insinuou que esta articulação entre Igreja e sociedade civil deve promover a participação corresponsável e uma ética centrada na dignidade humana, como base para transformar realidades de exclusão, pobreza e deterioração ambiental.

Francisco: um papa com um coração popular e profético

Por sua vez, o padre Charly Olivero, da Rede de Comunidades Organizadas (RECOR), refletiu sobre o legado de Francisco com base no livro comemorativo apresentado no encontro. Ele destacou três eixos fundamentais do pensamento do Papa: a denúncia do desperdício, a crítica do poder do dinheiro e a esperança depositada nos mais pobres.

"Francisco não apenas ouve a dor dos descartados, mas a transforma em uma agenda profética. Ele se atreve a dizer que o destino da humanidade está nas mãos dos pobres", disse Olivero.

Ele acrescentou como o Papa Francisco vinculou a exclusão social à destruição da Mãe Terra e apontou a idolatria do dinheiro como o "terrorismo de base" que gera violência e desigualdade global. "Este mundo, como é, não está indo mais longe. Precisamos de uma mudança agora, e essa mudança começa de baixo para cima", concluiu Olivero.

Presenças regionais e livro sobre movimentos populares

O evento reuniu catadores, camponeses, trabalhadores informais, cooperativas e coletivos da Argentina, Brasil, Colômbia e outros países, em um diálogo aprofundado com atores eclesiais sobre os desafios comuns que o continente enfrenta.

Este dia foi uma ocasião propícia para apresentar o livro "Os Encontros Mundiais dos Movimentos Populares e o nosso Pensamento Social, 10 Anos de EMMP", publicado pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Além disso, foi cedido um espaço para apresentar o curso sobre a economia popular como alternativa de desenvolvimento dos povos.

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