22 Outubro 2024
O evento deve reunir mais de 15 mil pessoas em Cali; presença de líderes internacionais e ameaças de dissidentes das FARC elevam preocupação com segurança.
A reportagem foi publicada em ClimaInfo, 22-10-2024.
“O colapso dos serviços da natureza, como a polinização e a água limpa, custaria trilhões de dólares por ano à economia global, com os mais pobres sendo os mais afetados. Para evitar esse futuro, os países precisam cumprir suas promessas financeiras. Aqueles que se beneficiam da Natureza devem contribuir para sua proteção e restauração.”
A fala do secretário-geral da ONU, António Guterres, foi exibida em vídeo na abertura cerimonial da COP16 no domingo (20/10), relata o UOL, embora a conferência de biodiversidade só tenha começado oficialmente ontem. E resume os temas centrais do evento: as metas de conservação da natureza e de financiamento de ações voltadas à preservação da biodiversidade.
Sob o tema “Paz com a Natureza”, a COP16 começou com o objetivo de alcançar a implementação do acordo de Kunming-Montreal, assinado em 2022, para reverter a perda de biodiversidade em todo o planeta até 2030. Apesar do tema, a cúpula ocorre num contexto de tensão e sob um forte esquema de segurança na terceira maior cidade do país, ressalta O Globo.
A maior preocupação era com a facção dissidente das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), conhecida como Estado-Maior Central (EMC). A EMC rejeitou o acordo de paz de 2016 e já lançou ameaças diretas à conferência, embora tenha anunciado anteriormente uma “suspensão” temporária das ofensivas locais devido ao evento.
A maior preocupação na conferência, no entanto, é que, passados dois anos do acordo de Kunming-Montreal, os países estão atrasados. E um dos principais pontos para países e empresas é como pagar pela conservação, com as negociações da COP16 visando desenvolver novas iniciativas que possam gerar receitas para a Natureza, explica a Reuters.
Outro ponto a ser destacado na conferência deste ano é a necessidade de considerar que as crises climáticas e da biodiversidade são na verdade dois lados de uma mesma moeda. “Apesar disso, os governos continuam a abordar essas crises interligadas de forma isolada, realizando conversações separadas sobre o clima global e sobre a biodiversidade, apesar de um conjunto convincente de evidências científicas que demonstram uma necessidade urgente de soluções colaborativas e sinérgicas”, avaliam An Lambrechts, Cyril Kormos e Virginia Young no Climate Change News.
Guardian, Wall Street Journal, Bloomberg, Guardian, Financial Times, New York Times, AP, Forbes, Guardian, Washington Post, Guardian, npr, Climate Network e Al Jazeera também repercutiram o início da COP16 e os desafios da conferência.
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