10 Outubro 2024
- Bätzing defende uma abordagem paciente ao Sínodo, argumentando que a igualdade de todos os batizados acabará por exigir transparência e responsabilidade em todos os níveis da Igreja.
- Que Deus conceda que este Sínodo, com os seus passos hesitantes em direção à mudança, contribua a longo prazo para valorizar a diversidade na Igreja e promover a unidade.
O presidente do Episcopado Alemão pede “ouvir uns aos outros e levar uns aos outros a sério”.
A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 10-10-2024.
Firme defensor da sinodalidade, D. Georg Bätzing, bispo de Limburg e presidente da Conferência Episcopal Alemã, precisou ir defendê-la no próprio Vaticano diante das reformas adotadas pelo Caminho Sinodal, do qual ele próprio é copresidente, mas também diante de alguns de seus irmãos bispos. É por isso que ele sabe que há muito em jogo no atual Sínodo sobre a Sinodalidade e que “é necessária muita paciência para aprender”.
Isto foi afirmado por este padre sinodal na missa do dia 6 de outubro na igreja de língua alemã de Santa Maria dell'Anima, em Roma, em cuja homilia sublinhou que a sinodalidade pode ser “exaustiva, por vezes árdua”, mas fazer o que desejo sem uma dúvida de que “Deus conceda que este Sínodo, com os seus passos hesitantes em direção à mudança, contribua a longo prazo para valorizar a diversidade na Igreja e promover a unidade”.
“Tudo isto começa com a escuta mútua e a consideração mútua séria”, acrescentou o bispo alemão, defendendo “uma abordagem paciente ao Sínodo, argumentando que a igualdade de todos os batizados acabará por exigir transparência e responsabilidade em todos os níveis da Igreja”, de acordo com o The Tablet.
Este apelo à paciência é algo sobre o qual Bätzing parece saber muito no tortuoso caminho das reformas empreendidas pela Igreja teutônica após os relatórios devastadores sobre os abusos sexuais no seu seio e a exigência - impulsionada por grupos leigos - de uma profunda reforma eclesial trouxe consigo o lançamento do Caminho Sinodal.
Evite que o processo seja descarrilado
E este exercício de paciência teve a ver com a forma como algumas das exigências iniciais - como a ordenação sacerdotal de mulheres ou de pessoas LGBTQI+ ou a plena igualdade entre clérigos e leigos na tomada de decisões - tiveram de cair no esquecimento para que toda a o processo reformista não seria descarrilado em Roma, incluindo os discursos ocasionais do Papa.
Contudo, naquela homilia Bätzing reiterou uma das exigências do Caminho Sinodal: que os católicos que voltam a se casar no civil após o divórcio sejam admitidos à comunhão.
“Estar sozinho, viver isolado, acomodar-se numa espécie de bolha de autoafirmação não é bom”, disse ele. “Que tipo de verdade de fé poderia ser que exclui cada vez mais pessoas?”
“Se os crentes pedem a bênção de Deus para o seu novo relacionamento, quem sou eu para negá-lo, mesmo de uma forma liturgicamente apropriada?”, perguntou o presidente dos bispos alemães.
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