Papua Ocidental vive uma silenciosa crise humanitária e de direitos humanos

Garimpo ilegal em Papua Nova Guiné | Foto: FotosPúblicas

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08 Outubro 2024

Deslocamentos internos, grilagem de terras, desmatamento, assassinatos. Esse o quadro da crise de direitos humanos e humanitária vivida em Papua Ocidental, conflitos promovidos por ações militares e pessoal de segurança indonésios.

A reportagem é de Edelberto Behs

“Pessoas que lutam para proteger suas florestas e terras ancestrais são recebidas com ações opressivas dos militares. A sociedade civil é criminalizada, presa, encarcerada e atingida com acusações de traição pelo aparato de segurança”, descreveu o advogado de direitos humanos de Papua Oriental, Leonardo Ijie. Ele participou do evento paralelo ao 57º Conselho de Diretos Humanos da ONU, reunido em Genebra na terça-feira, 1º de outubro.

A situação em Papua Ocidental é, provavelmente, “a pior e mais longa crise humanitária e de direitos humanos da qual a maioria das pessoas nunca ouviu falar – e não ouvimos falar dela por uma razão muito específica. Não é um acidente, é uma consequência deliberada da falta de acesso que a Indonésia permite para representantes da comunidade internacional ao território”, definiu o diretor da Comissão de Igrejas sobre Assuntos Internacionais do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Peter Prove.

Não é incomum que civis sejam forçados a deixar suas aldeias porque não querem suportar a violência do Estado. “Eles se tornam refugiados em sua própria terra”, disse Ijie. “As aldeias que são deixadas para trás ficam abertas então para serem saqueadas”, arrolou. “A grilagem de terras pelo governo indonésia é generalizada”, assinalou.

Desde o início do ano, o Human Rights Monitor registrou 13 assassinatos extrajudiciais, “frequentemente conduzidos como parte de operações militares”, denunciou o representante da instituição no evento, Norman Voss.

Prove apelou ao governo da Indonésia que reverta a política que atualmente impede o acesso humanitário internacional à região. Nurina Savitri, da Anistia Internacional Indonésia, observou que o Estado não reconhece os povos indígenas da região e que as forças de segurança discriminam os papuásios ocidentais.

O evento “Direitos Humanos na Papua Ocidental” foi organizado pelo CMI, por Franciscans International, Human Right Monitor, Fórum Asiático para os Direitos Humanos e Desenvolvimento, Anistia Internacional, Centro Tapol para Crimes Climáticos e Justiça Climática, e pela Universidade Queen Mary, de Londres.

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