#inteligência. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Canva Pro | Getty Images

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Junho 2024

O autêntico exercício da inteligência "é um empenho importante numa atmosfera social muitas vezes marcada pela superficialidade, pela banalidade, pelo óbvio, pelo recurso ao estereótipo, pelo fascínio pelas modas e pelos clichês. Mas por isso é necessária uma formação humana global, uma dose de gosto e discernimento crítico, uma reserva de sabedoria", escreve Gianfranco Ravasi, ex-prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 16-06-2024. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis o artigo.

Sapere aude! Tenha a coragem de usar sua própria inteligência.

O filósofo Immanuel Kant escreveu esse aforismo, remontando a um famoso apelo das Epístolas de Horácio: “Ouse saber!” Na verdade, o verbo latino sapere tem como significado básico um sugestivo “ter sabor, gosto”. É, de fato, verdade que uma inteligência sem sabedoria pode por vezes ficar à deriva: os cientistas o serviço de Hitler eram certamente inteligentes, mas a sua humanidade tinha sido amputada, cada abalo de consciência amortecido e cada advertência ética tinha sido extinta.

A inteligência é, portanto, um grande dom, mas pode tornar-se arriscada se não for acompanhada pela sabedoria do coração. Contudo, Kant estava certo quando convidava ao exercício da mente; além disso, o intelecto na tradição cristã é um dos sete dons do Espírito Santo.

O autêntico exercício da inteligência é, como o próprio termo diz na sua matriz latina, um intus legere, é uma leitura ou interpretação profunda do ser e do existir. Trata-se de um empenho importante numa atmosfera social muitas vezes marcada pela superficialidade, pela banalidade, pelo óbvio, pelo recurso ao estereótipo, pelo fascínio pelas modas e pelos clichês. Mas por isso é necessária uma formação humana global, uma dose de gosto e discernimento crítico, uma reserva de sabedoria. É assim que evitamos também o risco de considerar inteligentes apenas aqueles que pensam como nós. Para concluir, eu gostaria de deixar para consideração pessoal outra distinção proposta pelo poeta russo Pushkin: “A sutileza ainda não é inteligência. Às vezes, até os tolos e os loucos são extraordinariamente sutis".

Leia mais