#inteligência. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Canva Pro | Getty Images

Mais Lidos

  • Observando em perspectiva crítica, o que está em jogo no aceleracionismo é quem define o ritmo das questões sociais, políticas e ambientais

    Aceleracionismo: a questão central do poder é a disputa de ritmos. Entrevista especial com Matheus Castelo Branco Dias

    LER MAIS
  • Em decisão histórica, Senado rejeita nome de Messias ao STF

    LER MAIS
  • Entre a soberania, o neoextrativismo e as eleições 2026: o impasse do Brasil na geopolítica das terras raras. Artigo de Sérgio Botton Barcellos

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Junho 2024

O autêntico exercício da inteligência "é um empenho importante numa atmosfera social muitas vezes marcada pela superficialidade, pela banalidade, pelo óbvio, pelo recurso ao estereótipo, pelo fascínio pelas modas e pelos clichês. Mas por isso é necessária uma formação humana global, uma dose de gosto e discernimento crítico, uma reserva de sabedoria", escreve Gianfranco Ravasi, ex-prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 16-06-2024. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis o artigo.

Sapere aude! Tenha a coragem de usar sua própria inteligência.

O filósofo Immanuel Kant escreveu esse aforismo, remontando a um famoso apelo das Epístolas de Horácio: “Ouse saber!” Na verdade, o verbo latino sapere tem como significado básico um sugestivo “ter sabor, gosto”. É, de fato, verdade que uma inteligência sem sabedoria pode por vezes ficar à deriva: os cientistas o serviço de Hitler eram certamente inteligentes, mas a sua humanidade tinha sido amputada, cada abalo de consciência amortecido e cada advertência ética tinha sido extinta.

A inteligência é, portanto, um grande dom, mas pode tornar-se arriscada se não for acompanhada pela sabedoria do coração. Contudo, Kant estava certo quando convidava ao exercício da mente; além disso, o intelecto na tradição cristã é um dos sete dons do Espírito Santo.

O autêntico exercício da inteligência é, como o próprio termo diz na sua matriz latina, um intus legere, é uma leitura ou interpretação profunda do ser e do existir. Trata-se de um empenho importante numa atmosfera social muitas vezes marcada pela superficialidade, pela banalidade, pelo óbvio, pelo recurso ao estereótipo, pelo fascínio pelas modas e pelos clichês. Mas por isso é necessária uma formação humana global, uma dose de gosto e discernimento crítico, uma reserva de sabedoria. É assim que evitamos também o risco de considerar inteligentes apenas aqueles que pensam como nós. Para concluir, eu gostaria de deixar para consideração pessoal outra distinção proposta pelo poeta russo Pushkin: “A sutileza ainda não é inteligência. Às vezes, até os tolos e os loucos são extraordinariamente sutis".

Leia mais