EUA. A arquidiocese de San Francisco, falida por 500 processos de abuso

Dom Salvatore Cordileone, arcebispo de São Francisco. (Foto: Reprodução | sfarchdiocese.org)

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23 Agosto 2023

A falência oficializada por Dom Salvatore Cordileone é tachada de "estratagema" pelas vítimas e questiona a gestão de um dos pastores norte-americanos mais críticos do Papa.

A reportagem é de José Beltran, publicada por Vida Nueva, 22-08-2023. 

A Arquidiocese de San Francisco está falida. Na segunda-feira passada, ela declarou oficialmente a falência, procedimento feito necessário para poder enfrentar o desembolso que implica encarar as mais de 500 demandas relacionadas a abusos sexuais dentro da Igreja.

Esta decisão adotada por Dom Salvatore Cordileone implica refugiar-se no chamado Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos, que dá oxigênio à arquidiocese, na medida em que permite reorganizar os seus fundos quando uma empresa ou entidade não está em condições de assumir uma dívida ou pagar seus credores. Basicamente, permite-lhe interromper todas as ações jurídicas contra a Igreja enquanto o arcebispo ganha tempo para desenvolver uma estratégia de defesa e chegar a um possível acordo com as vítimas.

“A triste realidade é que a arquidiocese não tem os meios financeiros nem a capacidade prática para litigar individualmente todas estas alegações de abuso”, admite o pároco em nota, apresentando o pedido de falência como “a melhor solução para proporcionar uma compensação justa e equitativa” para todos os “sobreviventes inocentes que foram prejudicados”.

"Continue fugindo da verdade"

Os grupos de vítimas não acreditam muito nessa versão de Cordileone, porque veem nela uma artimanha para "continuar fugindo da verdade". “Ele se recusa a identificar os criminosos em sua diocese, está tentando manobras jurídicas para se livrar da Lei das Vítimas Infantis da Califórnia e agora busca um último esforço para esconder a verdade por trás da falência”, disse Jeff Anderson, advogado que representa cerca de 125 reclamantes.

A verdade é que hoje San Francisco é a única diocese da Califórnia que ainda não publicou uma lista de abusadores do clero, como fizeram as outras. Assim, esta gestão põe em causa o pastoreio de Cordileone, que também é um dos opositores sombrios das reformas empreendidas pelo Papa Francisco.

Com a falência de San Francisco, já existem três dioceses no litoral oeste americano que passaram por este transe, somando-se a Oakland e Santa Rosa. Este avanço é fomentado pela lei aprovada na Califórnia em 2019 que permitiu o levantamento do prazo de prescrição para crimes de abuso e a apresentação de queixas sobre casos passados ​​até 31-12-2022. Na verdade, grande parte do casos apresentados em San Francisco refere-se a eventos ocorridos há 30 anos.

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