Soltanovsky novo embaixador da Rússia no Vaticano. E Bergoglio renova seu pedido para falar com Putin

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17 Mai 2023

A ponte diplomática entre Vaticano e Rússia precisa ser reconstruída.

O presidente Vladimir Putin, de fato, nomeou o novo embaixador junto à Santa Sé. É Ivan Soltanovsky, pessoa da máxima confiança de Putin e amigo do Patriarca de Moscou, Kirill, que ocupa o lugar de Alexandre Avdeev. Este último, no cargo desde janeiro de 2013, quando ainda reinava Bento XVI e sua iminente renúncia não estava nem remotamente no horizonte, foi recebido pelo Papa Francisco na audiência de despedida em 11 de maio, apenas 48 horas antes da reunião no Vaticano entre Bergoglio e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Avdeev sempre foi considerado um grande especialista das relações entre Igreja e estados. O fim de sua missão no Vaticano é mais do que natural e acima de tudo esperada. Francisco o havia anunciado recentemente, em 30 de abril, na coletiva de imprensa do voo de volta de Budapeste: “Tenho um bom relacionamento com os russos pelo embaixador que está nos deixando agora, embaixador há sete (dez, ndr) anos no Vaticano, ele é um homem grande, um homem como deve ser. Uma pessoa séria, culta, muito equilibrada. A relação com os russos é principalmente com esse embaixador”.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 16-05-2023.

Então, se por um lado essa sucessão não está ligada aos eventos recentes, por outro lado, no entanto, conforme explicado pelo Papa, foi justamente Avdeev seu único contato com o Kremlin, especialmente desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022. Como se sabe, de fato, no dia seguinte ao início da guerra, Bergoglio foi de surpresa para a Embaixada Russa na Santa Sé, pedindo para Avdeev um contato direto com Putin. Um pedido ditado pelo fato de o presidente russo por três vezes, em 25 de novembro de 2013, 10 de junho de 2015 e 4 de julho de 2019, ter sido recebido por Francisco no Vaticano, chegando nas três audiências, com um atraso médio de cerca de 50 minutos. Aquele contato direto, após o início da guerra, não aconteceu até agora.

Mas Bergoglio não perdeu a esperança e, justamente se despedindo de Avdeev, ele renovou seu pedido para falar diretamente com Putin. Solicitação que agora será encaminhada para Soltanovsky que muito em breve será recebido em audiência pelo Papa para a apresentação das cartas credenciais. Ex-representante permanente da Rússia no Conselho Europeu, o novo embaixador nasceu em 6 de abril de 1955 em Leningrado, hoje São Petersburgo, cidade natal de Putin. Soltanovsky formou-se no Instituto de Relações Internacionais de Moscou, berço de diplomatas e ministros, ingressando na carreira diplomática em 1977. Ocupou cargos no Paquistão, Índia, na Osce em Viena, na Otan em Bruxelas, onde foi vice representante permanente de 2003 a 2009 e depois Diretor do Departamento de Cooperação Europeia do ministério das Relações Exteriores. Em 2015 foi nomeado Representante Permanente junto ao Conselho Europeu, cargo que ocupou até 2022, quando a Rússia foi expulsa da organização logo após a invasão da Ucrânia. Sua nomeação coincide com a chegada em Roma também do novo embaixador russo na Itália, Alexei Paramonov.

A decepção, na Casa Santa Marta, a residência do Papa, como na secretaria de estado, pela atitude e declarações de Zelensky durante a audiência no Vaticano e imediatamente depois pode, no entanto, favorecer a retomada de um diálogo entre a Santa Sé e a Rússia que ainda é muito fraco. A reação pública de Francisco, apenas 24 horas após o encontro com o presidente ucraniano, foi de confirmar o caminho, diplomático e humanitário, percorrido com determinação e pessoalmente desde o início da guerra. No Regina Caeli o Papa lembrou que "com as armas nunca será alcançada a segurança e a estabilidade, mas pelo contrário, se continuará a destruir também qualquer esperança de paz". Com a sempre presente oração pelo fim dos conflitos: "Dirigimo-nos a vós (Maria, ndr) pedindo para aliviar o sofrimento da martirizada Ucrânia e todas as nações feridas por guerras e violência”. Sinais muitos distantes de uma rendição.

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