Sudão: Save the Children, Unicef e World Vision, “milhões de crianças vulneráveis estarão em risco se o atual cessar-fogo não for respeitado por todas as partes”

Menina do Sudão, país submetido a violentos conflitos, lava suas mãos em uma escola (Foto: Divulgação | Save the Children)

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28 Abril 2023

“Se o atual cessar-fogo não for respeitado por todas as partes, milhões de meninos e meninas vulneráveis que precisam de assistência humanitária imediata e devem ser protegidos dos perigos, estarão em risco”. Este é o alarme lançado por Save the Children, Unicef e World Vision, enquanto confrontos violentos continuam no Sudão.

A reportagem é publicada por Agência SIR, 27-04-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

“Pelo menos nove crianças teriam sido mortas e mais de 50 feridas durante os combates que eclodiram em 15 de abril de 2023”, ressaltam as três organizações. “As crianças correm o risco de morrer ou sofrer danos físicos e de desenvolvimento se não tiverem acesso a assistência alimentar e nutricional”, declarou Emmanuel Isch, diretor nacional da World Vision Sudan. “Sem a paz, fornecer assistência alimentar e suporte nutricional àqueles que estão em condições de extrema vulnerabilidade e suas comunidades se torna muito mais difícil”.

Antes do início do conflito atual, as necessidades humanitárias no Sudão eram agudas e estavam piorando, e as crianças eram as mais vulneráveis. Cerca de 15,8 milhões de pessoas necessitavam de assistência humanitária, entre as quais mais de 8,5 milhões de crianças. O Sudão tem uma das taxas mais altas de desnutrição infantil do mundo. A crise interrompeu o atendimento de cerca de 50.000 crianças que sofrem de desnutrição aguda grave.

"Os pequenos estão sofrendo o peso do conflito no Sudão", disse Mandeep O'Brien, representante do UNICEF no Sudão. “Estão morrendo e sendo privadas de seu futuro. Impedir que crianças vulneráveis recebam serviços de saúde, proteção e educação terá um impacto por toda a vida. Os combates devem parar para poder alcançar melhor e mais rapidamente todas as crianças vulneráveis, onde quer que estejam”.

“Mesmo antes da crise atual, 7 milhões de crianças no Sudão não iam à escola e 2,7 milhões viviam em condições de desnutrição”, lembrou Arshad Malik, diretor da Save the Children no Sudão. “Os danos às unidades de saúde e escolas ainda são desconhecidos. Precisamos urgentemente garantir que todas as crianças tenham acesso a alimentos, água e cuidados médicos, pois suas vidas estão em risco”.

As três organizações estão profundamente preocupadas com o impacto do prolongado conflito sobre as crianças e pedem urgentemente a todas as partes no conflito e à comunidade internacional que façam mais para proteger as crianças no Sudão. Em primeiro lugar, "manter e respeitar o cessar-fogo e assegurar o restabelecimento do apoio humanitário".

Além disso, “todas as partes no conflito devem garantir a segurança dos agentes humanitários e permitir que cheguem até as crianças e suas famílias com serviços urgentes de saúde, nutrição, proteção e educação, sem medo de violências ou obstáculos”. E, mais ainda, "todas as partes no conflito deveriam aceitar a paz para as crianças do Sudão e reabrir as escolas" e "proteger as crianças e prevenir o recrutamento e a utilização de crianças por forças e grupos armados, o que envolve uma exposição grave e duradoura a eventos traumáticos físicos e psicológicos”.

Mapa político do Sudão (Reprodução | Nations Online Project)

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