A dor do povo Nuba. Entre a guerra e a fome no Sudão

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Por: Jonas | 11 Mai 2012

“Dentro de um mês chegará a estação das chuvas e os montes Nuba ficarão isolados. Já estão chegando notícias das primeiras mulheres e crianças mortas de fome na região de Kadugli. Porém, a situação está destinada a piorar. Padre Kizito Sesana, missionário comboniano, diretor responsável da publicação mensal Nigrizia, lança um apelo de dor.

A reportagem é de Davide Demichelis, publicada no sítio Vatican Insider, 09-05-2012. A tradução é do Cepat.

O maior dos países africanos foi dividido em dois no ano passado. Um referendo sancionou a independência do Sudão do Sul, terminando deste modo com uma guerra que já durava mais de 30 anos. Porém, as regiões que combateram ao lado dos rebeldes do sul foram atribuídas ao norte: os Montes Nuba e Southern Blue Nile. Também o Darfur ficou com o norte e, recentemente se aliou com as outras duas regiões numa insurreição. Há algumas semanas, novamente, iniciaram os enfrentamentos entre o novo Estado do Sudão do Sul e o do Norte, pela divisão dos benefícios do petróleo. No entanto, nessas três regiões o conflito nunca foi interrompido. No momento, os combates se intensificaram e do norte chegam os aviões que bombardeiam as aldeias.

O padre Kizito foi o primeiro missionário, em 1995, a chegar até os Nuba, que por causa da guerra permaneceram isolados durante mais de uma década. Desde então, nunca os abandonou, garantindo instrução e ajuda humanitária por meio de uma organização não governamental, Amani: “Atualmente, a situação dos Nuba retrocedeu 15 anos”, comenta desconsolado. As pessoas fogem por medo dos bombardeios. Quase todos os dias um Antonov do governo ataca as aldeias.

No Sudão, uma guerra completamente africana, se combate com meios pobres: os aviões são poucos, as munições escassas e as bombas ainda mais. Porém, é o suficiente para desencadear o terror entre as pessoas, que fogem, abandonam as aldeias e as colheitas. Quando a estação das chuvas tornar mais difícil os deslocamentos, aqueles que não foram vítimas das explosões serão vítimas da fome.

“O governo não concede permissão para que sejam acessadas as Nações Unidas e nem as organizações humanitárias, deste modo, os Nuba estão abandonados a si mesmos”. O padre Kizito tem visitado também os campos de Yida e Pariang, no território do Sudão do Sul, onde buscam abrigo milhares de refugiados. Os Nuba possuem origens centro-africanas e grande parte é mulçumana, mas sempre se opuseram à Xaria (a lei islâmica) e à sua derivação fundamentalista no regime de Jartum.

Durante estes anos, entre os Nuba, as comunidades cristãs cresceram, talvez pela oposição ao fundamentalismo imposto pelo Norte.Antes de chegar ao primeiro campo de refugiados, o padre Kizito foi reconhecido por alguns garotos que assistiam aulas nos montes e assim, sem esperar, encontrou-se rodeado por duzentas ou trezentas pessoas que lhe pediam que celebrasse a missa, um dia depois: domingo pela manhã. A igreja mais próxima aos campos de refugiados se encontra a 180 quilômetros de distância, em Bentiu.