“Halloween” é mais lembrado no Brasil que a Reforma protestante

(Foto: David Menidrey | Unsplash)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

01 Novembro 2022

Em apenas 126 municípios brasileiros (0,4%), a maioria no Rio Grande do Sul (53), 31 de outubro foi feriado municipal em homenagem à Reforma protestante. Mas nenhuma capital da Federação considera esse dia, mais lembrado como o da festa de Halloween.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

É impressionante que o luteranismo, presente no Brasil desde 1822, pelo menos informalmente, e organicamente há 136 anos, com a fundação do Sínodo Rio-Grandense, em 1886, seja menos lembrado na sociedade brasileira do que a Festa das Bruxas.

Num país como o Brasil, num momento da história em que a economia dita as regras, tudo é comprado, vendido, desde planos de saúde à educação, que o cidadão tem mais prestígio e valor conforme sua conta bancária, o preceito da salvação por graça, um dos pilares da Reforma, é uma mensagem revolucionária. Foi assim em 1517, é assim em 2022.

No entanto, o brasileiro, a brasileira, sabe mais a respeito do Dia das Bruxas do que sobre a graça. Tanto a Igreja Católica como igrejas protestantes valorizam as “ações de graça”, as “graças alcançadas”, não por “Trick or Treat” (doces ou travessuras), o pedido de crianças nas portas de casas de lares dos Estados Unidos.

A origem do Halloween remonta aos Samhain, um povo da Irlanda. Era o festival mais importante do calendário celta, que comemorava o fim do verão, o começo do ano novo e as colheitas. Os celtas acreditavam que o festival libertava todo tipo de espírito, e para representá-los se fantasiavam com peles e cabeças de animais abatidos para o inverno.

Nos Estados Unidos, que exportou o Halloween ao Brasil, muito lembrado em aulas de inglês, crianças se fantasiam de bruxas e visitam a vizinhança para pedir “doces ou travessuras”. No Brasil, não chega a isso, limitando-se a vestimentas de fantasia de bruxas. A mensagem revolucionária da graça perde em importância e difusão para as “travessuras”.

Leia mais