Nicarágua: opressão da Igreja. Artigo de Marcello Neri

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22 Agosto 2022

 

"Atualmente, parece que Mons. Alvarez esteja em prisão domiciliar na capital, enquanto as outras pessoas presentes na Cúria, que também foram presas, foram transportadas para perto da prisão política de El Chipote".

 

O texto é do teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, publicado por Settimana News, 21-08-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo. 

 

Após a expulsão do núncio e das Missionários da Caridade, o prisão de alguns padres, o impedimento de fiéis e sacerdotes de participar de serviços religiosos, o fechamento de rádios católicas diocesanas e de projetos beneficentes e educacionais, a agressão do regime de Ortega contra a Igreja Católica na Nicarágua atingiu nesta semana seu novo ápice com a prisão do bispo de Matagalpa D. Rolando Álvarez.

 

O bispo havia se recusado a fechar a rádio católica local, conforme imposição do governo, e alguns fiéis tentaram impedir a apreensão do equipamento necessário para as transmissões. Durante quase duas semanas, um cordão policial cercou a Cúria diocesana dentro da qual estavam o D. Alvarez com alguns colaboradores.

 

Em um comunicado da polícia datado de 5 de agosto, afirmou-se que D. Alvarez estava sob investigação por causa de sua "tentativa de organizar grupos violentos de protesto, provocar uma situação de caos e desordem, com o objetivo de desestabilizar o Estado nicaraguense e atacar as autoridades constitucionais".

 

A repressão a qualquer forma de oposição ao governo Ortega, liderada pela Igreja Católica local e pela mídia, foi ainda mais exacerbada após os protestos de 2018 em que se pedia a renúncia de Ortega e eleições transparentes e democráticas. Depois disso, em 2019 o Vaticano tirou do país o bispo auxiliar de Manágua, D. J. Baez, por temores quanto à sua segurança.

 

Foto: Settimana News

 

Atualmente, parece que D. Alvarez esteja em prisão domiciliar na capital, enquanto as outras pessoas presentes na Cúria, que também foram presas, foram transportadas para perto da prisão política de El Chipote.

 

O Cardeal L. Brenes, arcebispo de Manágua e presidente da Conferência Episcopal, teve a oportunidade de encontrar D. Alvarez após sua prisão, mostrando preocupação com sua condição física.

 

Muitos os sinais e as cartas de solidariedade de outras Igrejas locais, inclusive europeias - entre as quais recordamos as cartas do Cardeal Omella, presidente da Conferência Episcopal Espanhola, e do Cardeal Zuppi, presidente da CEI.

 

Omella expressou profunda preocupação com a "grave deterioração dos direitos humanos na Nicarágua", definindo a prisão de D. Alvarez como um "sequestro" realizado pelas forças policiais por ordem do governo Ortega. "As circunstâncias e o contexto dessas prisões são realmente preocupantes, porque ocorrem em um momento de grave deterioração dos direitos humanos no país" - afirmou Omella.

 

Finalmente, Omella pediu com veemência “a libertação de todas as pessoas que estavam com D. Alvarez e, em geral, de todas as pessoas que atualmente sofrem uma grave falta de liberdade” na Nicarágua.

 

Em sua carta ao card. Brenes, o presidente da CEI cardeal Zuppi expressa a solidariedade e preocupação da Igreja italiana: "nas últimas semanas temos acompanhado com preocupação as decisões tomadas pelo governo em relação à comunidade cristã, implementadas também através do uso da força pelos militares e polícia. Recentemente soubemos da prisão de S. Exa. D. Rolando José Álvarez Lagos, Bispo de Matagalpa, juntamente com outras pessoas, entre as quais sacerdotes, seminaristas e leigos. Trata-se de um ato muito grave, que não nos deixa insensíveis e que nos leva a manter nossa atenção voltada para o que acontece com esses nossos irmãos na fé. As circunstâncias e o contexto dessas prisões suscitam particular apreensão não só porque visam cristãos a quem é impedido o exercício legítimo das suas crenças, mas porque estão inseridos num momento em que os direitos humanos mais elementares parecem estar fortemente ameaçados”.

 

Em um comunicado, os bispos salvadorenhos deploram a situação social e política da Nicarágua e compartilham "a dor deste povo nobre, trabalhador e sofredor, que aspira fortemente a viver em um clima de pleno respeito seus direitos fundamentais para alcançar uma vida digna, segundo o reino da vida que Cristo veio trazer e que é incompatível com qualquer tipo de situação desumana”.

 

O secretário-geral da ONU, A. Guterres, definiu a prisão de D. Alvarez como mais um sinal de uma preocupante e crescente "obstrução do espaço público e civil" na Nicarágua pelo regime de Ortega - pedindo também a libertação imediata de todos os presos políticos, detidos ilegalmente e de forma totalmente arbitrária.

 

No mesmo dia da prisão de D. Alvarez, o secretário do Pontifício Conselho para a América Latina, Rodrigo Guerra Lopez, afirmou que “o papa está bem informado sobre tudo o que está acontecendo na Nicarágua (…). E que o silêncio do Papa até agora não significa inatividade ou falta de decisão, mas que o trabalho está sendo feito em outros níveis. E quando o Santo Padre julgar oportuno, naturalmente intervirá”.

 

E uma primeira intervenção explícita do Papa Francisco aconteceu neste domingo no final do Angelus: “Acompanho de perto com preocupação e dor a situação criada na Nicarágua, que envolve pessoas e instituições. Gostara de expressar minha convicção e minha esperança de que, por meio de um diálogo aberto e sincero, ainda possam ser encontradas as bases para uma convivência respeitosa e pacífica. Pedimos ao Senhor, por intercessão da Puríssima, que inspire esta vontade concreta no coração de todos",

 

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