Ecologia e trabalho. Necessidade da criação um Fundo de Compensação para a transição ecológica

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02 Novembro 2021

 

Stefano Zamagni, presidente da Pontifícia Academia de Ciências Sociais e um dos palestrantes do encontro de quatro dias de Taranto, elabora para o SIR um balanço da 49ª Semana Social dos Católicos Italianos, recentemente encerrado na cidade dos dois mares. "A Igreja italiana em questões tão importantes não se submete às linhas de pensamento ditadas por outros." A proposta: criar um fundo de compensação para a transição ecológica.

“O mundo católico continua a viver a condição de subordinação e autolegitimação perante o chamado pensamento laico. Pelo contrário, a Igreja italiana em questões tão importantes não se submete às linhas de pensamento ditadas por outros, e esta Semana Social o demonstrou amplamente.

A entrevista é de Michela Nicolais, publicada por SIR, 31-10-2021. AA tradução é de Luisa Rabolini.


Stefano Zamagni, presidente da Pontifícia Academia de Ciências Sociais, está convencido disso. Do Palamazzola, traça para o SIR um balanço dos dias de Taranto - dos quais participou com uma palestra muito aplaudida - partindo de uma espécie de orgulho redescoberto: aquele do "povo católico" que se encontra presencialmente pela primeira vez depois da pandemia e quer envolver-se dando a contribuição de pensamento “pensado" a temas como o ambiente, o trabalho, a sustentabilidade do planeta e aquela que foi definido durante os trabalhos como uma "ecologia eclesial".


O ponto de partida: a vontade de participar do debate público com reflexões de alto nível e de orientar o futuro por meio de ações concretas de participação a partir de baixo capazes de incidir sobre as macropolíticas.

 

Eis a entrevista.


Professor, que fotografia tiraria desta Semana Social?


Esta semana destacou qual é a principal dívida da comunidade civil para com o mundo católico, no que diz respeito à transição ecológica de que todos falam e dizem que deve ser enfrentada, sem, no entanto, conhecer plenamente todas as implicações que esta transição acarreta. Em palavras, todo mundo quer, mas na verdade ninguém a aplica.


Ninguém fala, de fato - e aqui em Taranto ao contrário se falou amplamente - que a transição ecológica tem custos: alguns se beneficiarão muito, outros ficarão gravemente prejudicados.


Também na Itália, há ações que, devido à transição ecológica, acabarão perdendo, em comparação com outras que aumentaram e vão aumentar significativamente seus lucros. Um exemplo, o das vacinas: cinco multinacionais no mundo totalizaram um lucro de 1,650 bilhão.


Se as vantagens daqueles que se beneficiaram com a transição ecológica excedem um certo limiar, aqueles que suportam o seu peso se unem para bloquear os processos. Basta pensar nos trabalhadores do petróleo: se descarbonizarmos, milhões de pessoas em todo o mundo se revoltarão. O presidente estadunidense Biden havia decidido destinar 3,5 bilhões de dólares para a transição ecológica: há poucos dias teve que reduzir para 1,7 mil, porque aqueles que teriam perdido protestaram de forma vigorosa.


Essa tendência pode ser revertida?


A Pontifícia Academia das Ciências Sociais propôs a criação, em nível internacional, de um Fundo de Compensação para a transição ecológica, no qual aqueles que ganharam com esse processo destinem parte de seus ganhos para compensar as empresas e os países que perderam. Esta é uma proposta que também pode ser replicada no plano nacional, que, no entanto, tem dificuldade para ser entendida: a “linguagem” atual, de fato, nos leva a crer que a transição trará benefícios a todos indistintamente.

 

Tanto o papa quanto o card. Bassetti pediram "um salto à frente" para a Igreja italiana. Como se pode sair da crise causada pela pandemia sem deixar ninguém para trás?

Fazendo uma distinção entre fragilidade e vulnerabilidade, que muitas vezes são erroneamente consideradas como sinônimos. Fragilidade é a condição de quem, em determinado momento, não consegue se sustentar e, portanto, tem como referência a emergência e como duração o curto prazo, como esperamos seja o caso da pandemia. Já a vulnerabilidade diz respeito a todos aqueles que estão bem neste momento, mas que poderiam cair na fragilidade em quatro, cinco, dez anos, como por exemplo os jovens que não encontram trabalho ou têm sempre e apenas empregos precários.

Na Itália se continua a agir no plano emergencial, tamponando as fragilidades, enquanto seriam necessárias políticas contra a vulnerabilidade, projetadas não para o curto, mas para o médio e o longo prazos.


Não basta intervir na emergência, é preciso avançar para as políticas estruturais.


É isso que nos pedem os jovens, grandes protagonistas da Semana Social?


Os jovens de hoje aprenderam a protestar de forma concreta, a manter sob pressão a maioria, o poder político, financeiro e econômico. Aqui em Taranto nos pediram para animar ações concretas no território e fizeram propostas específicas e abrangentes para iniciar esse caminho nas paróquias e nas dioceses. É importante não perder essa oportunidade e dar-lhe impulso. O mundo católico até agora deu substância a um pensamento muito "calculista", agora é a hora de um pensamento "pensante".

 

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