A luz compartilhada de Jesus. E a nossa, como anda? Breve reflexão para cristãos ou não. Comentário de Chico Alencar

Transfiguração, de Peter Paul Rubens. (Foto: Wikimedia Commons)

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01 Março 2026

"Sim, também somos seres de luz, o brilho pode nos alcançar. Enxergar a grandeza do Mestre do Amor, do Príncipe da Paz - ainda mais nesse mundo de guerra e morte - nos ajuda a sabermo-nos chamados à tarefa de construir, inspirados, uma sociedade mais justa e igualitária. 'Para ser grande, sê inteiro.(...) Põe o quanto és no mínimo que fazes' (Fernando Pessoa - 1888-1935)", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, comentando a passagem da Transfiguração de Jesus.

Eis o comentário.

A passagem da Transfiguração de Jesus (Mateus, 17, 1-9), lida hoje em milhares de comunidades de fé do mundo, é cheia de significados.

Jesus quer companhia para revelar sua vocação de transcendência. Por isso chama como "testemunhas" Pedro, Tiago e João.

Ele sabe que iluminação exige concentração, silêncio e elevação: sobe, com seus companheiros, para um "lugar à parte, uma alta montanha" (1).

E aí acontece o que todos buscamos: plenitude, brilho, inspiração.

Vejam que lindo: "o seu rosto brilhou como o sol, e suas vestes ficaram brancas como a luz" (2). Puro êxtase!

Para não perder o fio da História e o sentido da missão, apareceram junto com Ele a figura mítica de Moisés e a profética de Elias. Tradição e ousadia!

Mas a condição humana do apego também está ali, naquele "estado de graça" belo e raro: Pedro quer ficar "nas nuvens", armando três tendas na "zona de conforto" extraordinária.

Só que não: é preciso voltar à planície, ao chão duro e às vezes escuro do existir. O momento do encantamento serve para energizar pro cotidiano. Como uma obra de arte, a vista de um poente, a flor baldia do caminho, um gesto de carinho.

A lição é dada pelo "filho amado, por quem Deus se agrada" (5). Jesus chacoalha os seus: "levantem-se e não tenham medo!" (7).

Sim, também somos seres de luz, o brilho pode nos alcançar. Enxergar a grandeza do Mestre do Amor, do Príncipe da Paz - ainda mais nesse mundo de guerra e morte - nos ajuda a sabermo-nos chamados à tarefa de construir, inspirados, uma sociedade mais justa e igualitária. "Para ser grande, sê inteiro.(...) Põe o quanto és no mínimo que fazes " (Fernando Pessoa - 1888-1935).

Não estamos sós na caminhada terrena: "a luz das pessoas me faz crer: eu sinto que vamos juntos" ("Canção do Novo Mundo", Beto Guedes e Ronaldo Bastos).

Em meio às sombras, iluminemo-nos, para iluminar! Não sejamos opacos, insossos, superficiais ou autocentrados. Coloquemos em cada ato ou palavra toda a energia, toda a força de espírito solidário - como o Transfigurado e Ressuscitado, com fé e alegria!

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