Nem só de pão, de exibição, de poder vive o ser humano. Breve reflexão para cristãos ou não. Comentário de Chico Alencar

Foto: Lennon Caranzo/Unplash

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22 Fevereiro 2026

"Jesus, mesmo com fome, recusou-se a transformar pedra em pão, pois sabia que nem só de bens materiais se vive (4). Mas Ele compreendia a necessidade do alimento PARA TODOS, tanto que o multiplicou e distribuiu - nunca acumulou", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, comentando o Evangelho do 1º domingo da Quaresma.

Segundo ele, "façamos da Quaresma, travessia até a Páscoa, um tempo de grandeza, de reencontro com nosso Eu Profundo, que nos leva amorosamente na direção do Mistério de Deus e ao Outro, sem o qual nada somos".

Eis o artigo.

Esse é o 1º domingo da Quaresma, tempo de visita ao nosso deserto interior, "quando o corpo pede um pouco mais de calma, de alma" (Lenine e Dudu Falcão, "Paciência"). Quadra de silêncio e meditação nesse mundo barulhento e dispersivo.

Tempo de reflexão sobre nossos desejos mais sentidos, sobre a dimensão da nossa espiritualidade. Tempo de nos indagarmos por onde ela anda...

O Evangelho de Mateus (4, 1-11) relata Jesus sendo conduzido "pelo Espírito" ao deserto. E lá o Maligno o tenta e testa. Como nós, que somos testados/tentados diariamente na sociedade capitalista/materialista, para valorizar o supérfluo e esquecer o essencial.

Jesus, mesmo com fome, recusou-se a transformar pedra em pão, pois sabia que nem só de bens materiais se vive (4). Mas Ele compreendia a necessidade do alimento PARA TODOS, tanto que o multiplicou e distribuiu - nunca acumulou.

Jesus recusou o exibicionismo, o espetáculo vaidoso de se jogar "do alto do Templo" para que "os anjos de Deus" o salvassem (6).

Quantos, ontem e hoje, na ânsia de publicidade e aplausos, se jogam nas disputas mais mesquinhas? Quantos fazem "shows da fé" e vendem a "salvação" em frascos milagrosos e pedacinhos de cruz?

Jesus, por fim, recusa o poder, a dominação, a posse de "todos os reinos do mundo e suas riquezas" (9). Quantos, ontem e hoje, matam, agridem, devastam e se corrompem por poder, mando e dinheiro?

"O deserto é fértil", repetia Dom Helder Câmara (1909-1999). Ele afirmava que as inevitáveis provações e sofrimentos, encarados com força interior, podem nos purificar, melhorar, fazer crescer.

Façamos da Quaresma, travessia até a Páscoa, um tempo de grandeza, de reencontro com nosso Eu Profundo, que nos leva amorosamente na direção do Mistério de Deus e ao Outro, sem o qual nada somos.

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