O rabino-chefe de Roma sobre o Papa Francisco: “Sua mensagem é perigosa para o judaísmo”

Foto: MRECIC ARG | Wikimedia Commons

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26 Agosto 2021

 

Riccardo Di Segni: "Os judeus parecem justicialistas, os cristãos bons e misericordiosos".

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada por La Stampa, 16-10-2015. A tradução é de Luisa Rabolini.

Gelo inesperado nas relações que nunca foram tão boas com nos últimos tempos entre o Vaticano e os irmãos mais velhos. A mensagem de Francisco, "que é vista acima de tudo como amor, é perigosa para o judaísmo", afirma o rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni, em uma entrevista ao L'Espresso. “Repropõe a ideia de que, com a chegada de Jesus, o Deus do Antigo Testamento mudou: primeiro era severo e vingativo, depois se tornou o Deus de amor. Portanto - diz Di Segni - os judeus são justicialistas e os cristãos bons e misericordiosos. É uma aberração teológica muito antiga, que permaneceu uma espécie de doença infantil do cristianismo”.

Além disso, “é um Papa muito interessante, com quem se consegue dialogar”, afirma Di Segni. Mas, segundo o rabino, “continuar a usar, como faz o Papa, o termo 'fariseus' com uma conotação negativa pode reforçar o preconceito de um público despreparado”. O líder espiritual da mais antiga comunidade judaica da Europa relata a resposta do pontífice: “Compreendo bem. Eu sou um jesuíta e também a palavra ‘jesuíta’ tem ressoa como algo negativo”. “Vi que depois - destaca Di Segni - ele ficou mais atento a isso”.

O Secretário-Geral da CEI, Nunzio Galantino, à margem da Conferência dos jovens da Confindustria em Capri, respondeu às afirmações veiculadas na entrevista: “Não dizemos absolutamente isso, são coisas da década de 1950”, disse. “Essas coisas hoje na teologia absolutamente não cabem mais”, frisou monsenhor Galantino respondendo a uma pergunta.

O porta-voz da Comunidade Judaica romana Fabio Perugia depois esclareceu que “o título da entrevista (“Eu, judeu, temo o Deus de Francisco”, ndr) no jornal L'Espresso não encontra respaldo em nenhuma declaração feita à jornalista”.

 

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