Peru. No combate à covid-19, ministério evangélico aplica antiparasitário

Também no Brasil, correntes de WhatsApp disseminaram mensagens falsas sobre o uso da Ivermectina para o combate ao coronavírus. Foto: Reprodução

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29 Junho 2020

Incentivado pelo governador Giampaolo Rojas e inclusive indicado pelo Ministério da Saúde, um grupo de evangélicos injetou, no Departamento de Loreto, Ivermectina, um medicamento antiparasitário apropriado para uso animal, em pelo menos 5 mil pessoas como preventivo à pandemia do coronavírus. Um dos efeitos colaterais da medicação é a diarreia, que foi verificada em “vacinad@s”.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

O Departamento de Loreto, o maior da Amazônia peruana, é uma área isolada onde vive perto de 1 milhão de pessoas, das quais 300 mil indígenas. O medo do covid-19 e a falta de assistência do Estado levaram essas pessoas a aceitar a injeção do antiparasitário. O governador recorreu a emissoras de rádio para convocar a população a se submeter à Ivermectina como se fosse uma vacina

Em entrevista ao jornal El País, o comunicador Leonardo Tello, da Rádio Ucamara, da cidade de Nauta, contou que após a “vacinação” muitas pessoas sentiram o coração bater mais rápido. “O efeito colateral tem sido horroroso”, disse. Informou, ainda, que alguns pastores evangélicos de Loreto vincularam o novo coronavírus ao demônio e ao fim do mundo, oferecendo tais injeções como “salvação”. 

Na comunidade de Cuninico, 60% dos maiores de 18 anos – cerca de 160 habitantes - receberam o medicamento. Voluntários das chamadas Missões Evangélicas da Amazônia aplicaram a Ivermecticina mesmo depois de técnico de saúde na área informar que a “vacina” não era necessária porque a maioria do povo estava se cuidando com a medicina tradicional, usando plantas. Mesmo assim, a medicação foi aplicada. 

A CNN reportou que o Ministério de Saúde do Peru (Minsa) recomendou o uso da hidroxicloroquina e Ivermectina, “nos centros de saúde em pacientes em risco” e “nos estágios iniciais” da doença, uma vez que “podem trazer bons resultados”. Reconheceu, no entanto, que não existe tratamento aprovado no mundo que cure o covid-19, “mas deve-se fazer o máximo de esforços para reduzir a progressão da pandemia”, uma vez que o país não conta com suficiente capacidade hospitalar para atendimento de infectados. 

O médico Eduardo Gotuzzo classificou os fármacos como “seguros” e “muito úteis”, empregados há décadas no mundo. Acrescentou, porém, que os colegas os receitem “sob sua responsabilidade”, o que evita a automedicação e permite uma supervisão do paciente. “Precisamos fazer alguma coisa, sem esperar muito”, disse Gotuzzo, mencionado no boletim do Misa

Até a semana passada, 1.492 indígenas em Loreto haviam sido contaminad@s pelo coronavírus, com 14 mortes; 32% das pessoas que fizeram teste deram positivo.

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