Para economista, crescimento contínuo da economia é ‘como um câncer’

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24 Junho 2019

Para a inglesa Kate Raworth, de Oxford e Cambridge, o planeta, para sobreviver, precisa urgentemente abandonar a fórmula de ‘crescimento infinito’ da economia e harmonizar os negócios com a defesa do ecossistema.

A entrevista é de Sonia Racy, publicada por O Estado de S. Paulo, 24-06-2019.

Desde que lançou, em 2017, seu livro Doughnut Economics – Seven Ways to Think Like a 21st Century Economist, a britânica Kate Raworth não parou mais de circular. Está há dois anos em turnê pelo mundo, expondo suas ideias sobre “os sete meios para pensar como um economista do século 21”, como diz o título do livro– e se tornou referência mundial na busca de um modelo que respeite o ciclo do meio ambiente – sem o que, adverte, a raça humana não tem futuro. Pois o ‘crescimento infinito’ que vemos como modelo nos negócios, “em nossos corpos chamamos de câncer”.

Nessa missão, a economista – que preside o Instituto para Mudança Ambiental da Universidade de Oxford e é conselheira de área semelhante em Cambridge – discursou na Assembleia-Geral da ONU, visitou vilarejos pobres da África, debateu com rebeldes americanos do Occupy Movement e expôs sua visão a autoridades pelos países afora.

Segundo ela, “precisamos deixar absolutamente claro que os modelos de negócios que temos hoje estão destruindo o ecossistema do qual dependemos. Passei o dia hoje com investidores que estão usando a teoria do “doughnut” para reimaginar o futuro da cidade. Estou impressionada em ver pessoas do mundo dos negócios desesperadas para encontrar uma maneira de transformar suas empresas”.

Kate também se mostra animada com os jovens: “Eles estão se organizando, exigindo novas teorias e algo para o seu futuro.” Querem trabalhar “para empresas que tenham como objetivo fazer algo de bom para o mundo”. Doughnut Economics já foi traduzido para 15 línguas (a expressão se deve ao formato de uma rosquinha que tem o gráfico em que ela resume sua ideia). A autora estará no Brasil para lançar seu livro no Rio, na Firjan, e dia 4, em SP, na Unibes.

Eis duas frases da entrevista, cuja íntegra pode ser lida aqui

- “A primeira coisa é recusar a possibilidade de ensinar à próxima geração de crianças as mesmas teorias vistas até hoje nas escolas, aulas sobre política econômica ultrapassadas. Pessoas do mundo dos negócios de hoje se dão conta de que têm famílias que amam e temem que o futuro delas não seja tão seguro. Precisamos deixar absolutamente claro que os modelos de negócios que temos hoje estão destruindo o ecossistema do qual dependemos”.

- “Gerações de jovens estão crescendo inseguros por acharem que nunca são bons o suficiente. Meus filhos de dez anos não têm celular, não jogam jogos de computador, não gastam tempo online – sim, eu sou um desses pais e mães. Sabemos que gurus do Vale do Silício não permitem que seus filhos brinquem com iPads

 

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