O Cardeal Burke “está no posto, mas sem poder” enquanto o trabalho é entregue a delegado papal

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31 Janeiro 2017

Crítico mais destacado do papa, o Cardeal Raymond Burke foi despido de suas responsabilidades depois que o Papa Francisco anunciou que um delegado papal irá agora administrar exclusivamente as relações entre o Vaticano e os Cavaleiros de Malta.

O Cardeal Burke é o atual patrono da Ordem de Malta, função cuja principal tarefa é ser o representante pessoal do papa juntos aos cavaleiros e ser o homem de referência para a Santa Sé.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada por The Tablet, 30-01-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Mas, na sequência da saga entre a ordem e o Vaticano – que levou à renúncia do Cavaleiro Grão-Mestre Matthew Festing –, o papa decidiu que o seu representante vai, por enquanto, realizar o trabalho do cardeal.

Isso significa que, embora o Cardeal Burke ainda esteja tecnicamente no posto, ele está sem poder.

Em carta do dia 27 de fevereiro para o líder interino da ordem, Ludwig Hoffmann von Rumerstein, Francisco afirma que o delegado deverá ser o “meu único porta-voz (...) para tudo o que diz respeito na relação da ordem com a Santa Sé” e assim será até a eleição de um novo grão-mestre.

O delegado deverá trabalhar em proximidade com Hoffman, garantindo uma “renovação espiritual e moral da ordem”, com um foco particular sobre os cavaleiros que realizaram votos religiosos de pobreza, castidade e obediência.

É esta elite quase monástica que detém os postos de comando da organização mundial, e é ela que elege o seu líder. Porém fontes de dentro da ordem dizem que os processos formativos para os membros plenamente professos não eram robustos o suficiente, havendo dúvidas sobre a qualidade da vida religiosa destes cavaleiros.

A decisão tomada pelo papa de pôr o seu delegado encarregado do trabalho de renovação afasta mais ainda Burke já que uma outra tarefa do patrono é “promover os interesses espirituais da ordem”.

No sábado, o Conselho Soberano dos cavaleiros aceitou formalmente a renúncia de Matthew Festing, após uma batalha pública amarga entre a ordem e o Vaticano sobre a destituição de um cavaleiro alemão do alto escalão, Albrecht von Boeselager.

Com o apoio de Burke, Festing destituiu von Boeselager em decorrência de um suposto envolvimento na distribuição de camisinhas, depois alegando que a ação disciplinar estava de acordo com os desejos da Santa Sé.

Todavia, revelou-se que o papa nunca pretendeu um tal movimento e, a mando do papa, criou-se uma comissão para estudar o assunto.

Foi este desafio aos desejos do Papa Francisco – e a recusa pública dos cavaleiros de cooperar com a investigação da Santa Sé – que levou à renúncia de Festing e ao afastamento de Burke, prelado que tem se mostrado um duro crítico dos movimentos tomados pelo pontífice no sentido de dar a Comunhão a católicos divorciados e que voltaram a se casar no civil sem a devida anulação da união anterior.

O cardeal tem desafiado publicamente Francisco sobre esse tema, e até mesmo ameaçou “corrigir formalmente” o papa caso este não responda a uma série de perguntas que Burke e três outros cardeais submeteram.

Depois de Festing se reunir como papa na semana passada, em que concordou em renunciar, informou-se que Burke tentou persuadi-lo, com fontes de dentro dos cavaleiros de Malta dizendo que ele passou quase uma hora procurando fazer com que Festing mudasse de ideia.

O Grão-Mestre que estava de saída permaneceu firme, no entanto, e a sua renúncia agora já foi até ratificada. Mais que isso: todas as ações tomadas pelo comando da ordem depois de 6 de dezembro foram declaradas nulas e sem efeito, enquanto von Boesealger foi reinstalado em seu posto como Grande Chanceler.

Na carta de 27 de janeiro, o papa também tranquiliza os cavaleiros quanto à soberania do grupo: a ordem da era dos cruzados, datando do século XI, possui relações diplomáticas com mais de 100 países, incluindo o status de observador nas Nações Unidas.

Festing e seus aliados alegavam que, devido a essa soberania, a investigação vaticana sobre a destituição de von Boesealger era “legalmente irrelevante” e disseram que iriam se recusar a cooperar.

No entanto, a comissão da Santa Sé, liderada pelo diplomata papal Dom Silvano Tomasi, recebeu centenas de submissões por parte de membros de dentro da ordem que foram prontamente submetidas a Francisco.

O Vaticano sempre sustentou que, sendo os cavaleiros uma ordem católica, em última instância eles devem obediência ao papa em assuntos concernentes à vida religiosa.

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