Jesus permanece conosco até o fim dos tempos. Comentário de Consuelo Vélez

Ascensão de Cristo, de Rembrandt (Foto: Domínio Público)

14 Mai 2026

Os discípulos não podem permanecer apenas se alegrando com o aparecimento de Jesus, mas devem se sentir comprometidos em cumprir a tarefa que agora está em suas mãos.

A tarefa, portanto, é fazer discípulos de todas as nações.

O Jesus do Evangelho de Mateus não ascende aos céus, mas permanece conosco até o fim dos tempos.

O comentário é de Consuelo Vélez, teóloga colombiana, publicado por Religión Digital, 12-05-2026.

Eis o comentário.

Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes havia indicado. Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. Então Jesus aproximou-se deles e disse: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28,16-20)

Hoje celebramos a Festa da Ascensão de Jesus. A obra de Lucas, composta pelo Evangelho e pelo Livro dos Atos dos Apóstolos, testemunha este evento. O Evangelho de Lucas conclui dizendo que Jesus foi elevado ao céu (Lc 24,51), e o Livro dos Atos dos Apóstolos começa narrando que Jesus foi elevado à presença dos apóstolos e uma nuvem o encobriu da vista deles (At 1,8). É precisamente esta passagem dos Atos dos Apóstolos que é proposta para a liturgia de hoje como primeira leitura.

Talvez o aspecto mais significativo deste texto seja a missão que Jesus confiou aos seus seguidores: "serem suas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra" (At 1,8). Também é significativa a pergunta feita aos apóstolos por dois homens vestidos de branco que lhes apareceram e perguntaram: "Por que estais aqui olhando para o céu?". Esta pergunta é outra forma de dizer que a tarefa agora pertence aos apóstolos. Portanto, eles não podem permanecer se regozijando com o aparecimento de Jesus, mas devem se sentir comprometidos em cumprir a tarefa que agora está em suas mãos.

A leitura do Evangelho de hoje é de Mateus, que não narra a Ascensão, mas confia aos seus discípulos a mesma tarefa: “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações”. Este breve texto contém vários elementos que revelam o estilo de Mateus. Os onze vão para a Galileia, para o monte que Jesus havia indicado. Mateus frequentemente se refere ao “monte” como aquele lugar privilegiado para o encontro com Deus. É num monte que Jesus é tentado (4,8), Jesus começa a sua pregação num monte (5,1), Jesus ora num monte (14,23), continua a ensinar e a curar a partir de um monte (15,29), é transfigurado num monte (17,1) e agora se encontra com os seus discípulos num monte.

O Evangelho de Mateus é também aquele que enfatiza a novidade do batismo “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Esta fórmula batismal viria a ser usada na Igreja até hoje, mantendo essa dimensão trinitária que nos faz filhos e filhas de Deus.

Jesus ordena aos seus discípulos que ensinem outros a observar tudo o que ele lhes ordenou. Este é um mandato missionário, pois as boas novas da ressurreição de Jesus devem ser comunicadas a todos, em todos os lugares. A tarefa, portanto, é fazer discípulos de todas as nações. A força para cumprir essa missão vem da promessa de Jesus de estar com eles até o fim do mundo. Jesus não os abandona, mas permanece com eles para fortalecê-los no cumprimento da missão que lhe foi confiada.

A festa da Ascensão nos convida, portanto, a renovar a missão que o Senhor nos confiou, com a certeza inabalável de sua presença entre nós, porque o Jesus do Evangelho de Mateus não ascende, mas permanece conosco até o fim dos tempos.

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