Flotilha, o show de Ben Gvir, sobrepuja a hasbará israelense

Foto: Esra Hocugla | Anadolu Ajansi

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22 Mai 2026

Em Praga, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, juntamente com o colega tcheco, Petr Macinka, acabaram de lançar acusações contra os “governos de esquerda” europeus por sua abordagem “radical e anti-israelense”, quando de Tel Aviv lhe enviaram o vídeo que seu colega Itamar Ben Gvir acabara de postar com orgulho nas redes sociais. O vídeo mostra o ministro da Segurança e líder da extrema-direita enquanto assedia e zomba dos ativistas da Flotilha Global Sumud (GSF), levados contra a sua vontade para Ashdod após serem sequestrados em águas internacionais pela Marinha militar israelense.

A reportagem é de Michele Giorgio, publicada por "il manifesto", 21-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Saar deve ter entrado em pânico: em um instante, viu virar fumaça suas custosas iniciativas para tentar melhorar a imagem internacional de Israel, despencada para o nível mais baixo de todos os tempos após a destruição de Gaza. Normalmente, nenhum, ou quase, entre os governantes europeus protesta contra os maus-tratos e a humilhação infligidos aos prisioneiros palestinos toda vez que Itamar Ben Gvir entra nas prisões israelenses de segurança máxima. Mas, desta vez, estão envolvidos cidadãos de países ocidentais amigos de Israel e, diante dessas imagens, até mesmo Giorgia Meloni, uma aliada ferrenha de Israel, teve que levantar a voz e protestar.

Saar, portanto, acusou Ben Gvir de ter prejudicado a reputação de Israel. "Com essa demonstração vergonhosa, você conscientemente causou danos ao nosso Estado, e não é a primeira vez. Você pôs a perder enormes esforços profissionais e coroados de sucesso realizados por muitas pessoas, desde soldados das Forças de Defesa de Israel até o pessoal do Ministério das Relações Exteriores e muitos outros. Não, você não representa Israel", escreveu Saar no X. Pouco depois, Benjamin Netanyahu interveio, afirmando que, embora Israel, em sua opinião, tenha o direito de responder à flotilha, "a maneira como o Ministro Ben Gvir tratou os ativistas da flotilha não está de acordo com os valores e as normas de Israel".

Até mesmo o embaixador israelense nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, se posicionou contra Ben Gvir, esquecendo-se de que, no início da semana, havia dirigido pesadas ofensas à associação judaico-americana J Street por suas críticas às políticas do governo israelense. Os líderes dos partidos de oposição também se manifestaram, mas não para expressar solidariedade aos ativistas escarnecidos e humilhados. Eles criticaram Netanyahu por ter dado a Ben Gvir ampla liberdade de ação, permitindo que ele realizasse ações prejudiciais a Israel.

O que se viu nos vídeos, disse o ex-primeiro-ministro Yair Lapid, "foi perpetrado por Ben Gvir, mas o primeiro-ministro é responsável por ter trazido um criminoso condenado para o governo, assim como qualquer um que tenha concordado em se associar a uma pessoa tão irresponsável". Alguns representantes foram mais diretos, declarando à emissora pública Kan que Ben Gvir "explorou sua posição para atrair a atenção".

Aproximam-se as eleições e o Ministro da Segurança agiu contra os ativistas internacionais não apenas por motivações ideológicas. Ele se dirigiu para a sua base de apoiadores e para aquela parcela significativa de israelenses que não desaprovam a postura intransigente contra a Flotilha, pois consideram seus ativistas, na melhor das hipóteses, "provocadores". Portanto, enquanto Netanyahu teve que engolir as afirmações de Donald Trump de que, em relação ao Irã, o primeiro-ministro israelense estaria subordinado às decisões dos Estados Unidos — "Netanyahu fará o que eu quero", disse o magnata a um grupo de jornalistas —, Ben Gvir não recuou. Muito pelo contrário, dirigindo-se a Saar, bradou: "Há pessoas no governo que ainda não entenderam como lidar com os apoiadores do terrorismo. Espera-se que o Ministro das Relações Exteriores entenda que Israel deixou de ser uma criança mimada. Qualquer um que vier ao nosso território para apoiar o terrorismo e se identificar com o Hamas será detido, e não lhe daremos a outra face."

O caos interno provocado por Ben Gvir ofuscou a aprovação em primeira leitura, ontem, do projeto de lei para dissolver o Knesset. A votação, com 110 votos a favor e nenhum contra, é o resultado da crise interna na maioria de direita, desencadeada pelos partidos religiosos devido ao fracasso na aprovação da lei sobre a isenção dos jovens religiosos ultraortodoxos do serviço militar. Se a lei for definitivamente aprovada, as eleições serão antecipadas em algumas semanas, em relação à data prevista de 27 de outubro.

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