19 Mai 2026
A Flotilha navegou algumas dezenas de milhas e depois se abrigou, parte na ilha grega de Kastellorizo e parte na costa turca. Mar agitado, velas e motores avariados, problemas técnicos. Mas bastou a partida da Flotilha de Marmaris, no sudoeste da Turquia, na quinta-feira 14, para que a propaganda israelense entrasse em ação.
A reportagem é de Alessandro Mantovani, publicada por il Fatto Quotidiano, 16-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
O canal N12, próximo ao governo Netanyahu, afirmou ontem de manhã que "a flotilha é liderada pelo mesmo grupo que, em 2010, esteve por trás do Mavi Marmara", o navio no qual as forças israelenses mataram dez voluntários turcos depois que os primeiros militares que desceram a bordo de um helicóptero foram desarmados. Segundo o N12, "responsáveis pela segurança acreditam que essa flotilha pode ser mais violenta do que as anteriores" e "as autoridades estão examinando a possibilidade de haver indivíduos ligados ao Hamas a bordo".
Não podendo falar de "flotilha do Hamas" após a libertação de Saif Abukeshek e Thiago Avila por não terem conseguido formalizar acusações de "terrorismo", o problema agora se concentra nos possíveis "filiados do Hamas a bordo", quase "infiltrados". O canal N12 prevê, portanto, a intervenção da unidade especial Shayetet 13, a unidade de comandos da Marinha, que, aliás, sempre realizou as incursões contra a Flotilha, incluindo a mais recente, na noite entre 29 e 30 de abril, quando chegou até o oeste de Creta, para abordar 22 dos barcos que partiram de Augusta, na Sicília. A declaração do N12 parece ter principalmente a finalidade de propaganda interna. A Flotilha, no entanto, respondeu com um comunicado: "Israel está mentindo mais uma vez para obter o consenso para o uso de uma força potencialmente letal”. E mais: “Estão tentando privar de suas qualificações como médicos, jornalistas, operadores humanitários e ativistas, voluntários pacíficos e não violentos, numa tentativa de transformar uma flotilha liderada por civis em um objetivo militar”.
Nesse interim, a Flotilha, composta por 54 embarcações, ainda está a aproximadamente 400 milhas náuticas, o que corresponde a 4-5 dias de navegação, das costas de Gaza. Ontem, parou após apenas 24 horas de viagem, e para alguns barcos, até menos: o vento forte, com rajadas de até 50 km/h, e o mar agitado vindo do oeste, apesar de previstos, causaram desconfortos em muitos dos cerca de 500 participantes. Pelo menos três barcos tiveram problemas, um deles foi rebocado pela Guarda Costeira turca. Uma dezena deles ficou sem internet, já em águas internacionais, porque a rede de satélite Starlink não estava funcionando: são, em sua maioria, barcos turcos, em seu país a rede de Elon Musk não funciona e provavelmente não foi testada em alto mar. Obviamente, sem internet, a Flotilha não pode ser vista, e é como se não existisse, também porque o manto de silêncio já é bastante pesado pelo que isso implica, inclusive em termos de riscos físicos para as pessoas a bordo quando os barcos entrarem em contato com os militares israelenses. Resultado: pelo menos um dia de parada, abrigados do mar e do vento.
Grande parte da frota vai passar a noite perto da costa turca, não muito longe de Antalya. Cerca de quinze barcos estão ancorados em Kastellorizo – também chamada de Megisti pelos gregos, Meis pelos turcos, Castelrosso pelos italianos –, a ilha grega mais oriental do arquipélago do Dodecaneso, a apenas 3 quilômetros da Turquia, um lugar encantador, mas onde não se pode desembarcar. Ali Gabriele Salvatores filmou Mediterrâneo (1991), vencedor do Oscar em 1992. Há também o Kasr-i Sabadab, o barco turco viajando com bandeira britânica que transporta o deputado do M5S, Dario Carotenuto, e quem escreve.
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