A ofensiva israelense não é suficiente, "hoje a flotilha zarpa novamente para Gaza"

Foto: Jehan Alfarra | Middle East Monitor

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16 Mai 2026

"Exatamente duas semanas após o ataque ilegal conduzido pelas forças da IDF nas águas a oeste de Creta, que resultou na perda de 22 embarcações e na prisão de 181 ativistas, a flotilha não só foi capaz de se reagrupou, mas também de atraiu novos participantes. Cinquenta e quatro embarcações, transportando aproximadamente quinhentos passageiros de quarenta e cinco países, estão agora a caminho da Palestina: uma formação sem precedentes que, sem dúvida, representará um sério desafio para as forças armadas de Tel Aviv", escreve Andrea Sceresini, jornalista italiano, em artigo publicado por Il Manifesto, 14-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

A Flotilha Global Sumud deveria ter partido da Turquia ao amanhecer de hoje e, neste momento, está navegando em direção a Gaza. "A maior missão humanitária de todos os tempos para tentar romper o cerco criminoso à Faixa" — como havia sido descrita há mais de um mês, antes de partir da costa da Sicília — deveria, portanto, estar de volta ao mar, apesar de tudo e de todos.

Exatamente duas semanas após o ataque ilegal conduzido pelas forças da IDF nas águas a oeste de Creta, que resultou na perda de 22 embarcações e na prisão de 181 ativistas, a flotilha não só foi capaz de se reagrupou, mas também de atraiu novos participantes. Cinquenta e quatro embarcações, transportando aproximadamente quinhentos passageiros de quarenta e cinco países, estão agora a caminho da Palestina: uma formação sem precedentes que, sem dúvida, representará um sério desafio para as forças armadas de Tel Aviv. O objetivo final — como os organizadores têm reiterado constantemente — é chegar a Gaza, passando pelo bloqueio naval israelense. A meta é "entregar aproximadamente dez toneladas de ajudas à população local e abrir um novo corredor humanitário para a Faixa".

É evidente, no entanto, que os generais de Netanyahu farão tudo o que estiver ao seu alcance para pôr um fim à questão bem antes disso acontecer e, muito provavelmente, assim que as embarcações da flotilha passarem das águas turcas para as águas internacionais. Na véspera da interceptação anterior, o Ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, declarou que tanto as embarcações quanto as mercadorias que transportavam eram "destinadas a serem usadas em crimes terroristas". Uma teoria fantasiosa, para dizer o mínimo, mas que foi mais do que suficiente — pelo menos na visão de Katz — para justificar o envio dos famigerados paraquedistas da "Shayetet 13" contra os ativistas desarmados que transitavam a mais de 700 milhas marítimas de Tel Aviv.

Hoje, para evitar que o governo israelense possa evocar impunemente as mesmas calúnias, os líderes da Flotilha Global Sumud convidaram o Parlamento Europeu e ao Serviço Europeu para a Ação Externa para que "enviem uma delegação institucional encarregada de verificar a carga das embarcações e certificar a natureza exclusivamente civil e humanitária da missão". Um apelo, contudo, ao qual nem Estrasburgo nem Bruxelas responderam. "Nós vamos continuar, independentemente de tudo, porque neste momento", disse ontem durante uma concorrida conferência de imprensa o porta-voz do movimento, Saif Abukeshek, que, juntamente com Thiago Ávila, acaba de regressar de dez dias de dura detenção nas prisões israelenses, "é a única coisa que podemos fazer. De 1948 até hoje, as forças sionistas tentaram, de todas as formas e por todos os meios, exterminar o povo palestino. Por isso, é necessário que a Flotilha navegue rumo a Gaza. Portanto, hoje mais do que nunca, devemos levar isso até o fim.”

Em Marmaris, após a assembleia geral realizada há dois dias, com grande participação, que reafirmou a intenção dos ativistas de continuar a viagem, o clima finalmente parece mais tranquilo. “Esperamos até demais”, disse alguém, “chegou a hora de zarpar. Os israelenses? É claro que tentarão nos impedir, assim como fizeram em Creta. Mas deixar-se intimidar seria ceder a eles, significaria abandonar o povo palestino. E hoje ninguém poderia aceitar isso.” O calendário também acabou tornando esses momentos ainda mais solenes. Amanhã, 15 de maio, celebra-se o Dia da Nakba, que coincide com o aniversário da fundação do Estado de Israel.

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