EUA e Trump. 'O sonho americano acabou. Dali, não vem mais nenhuma veleidade civilizatória, nem como farsa'

Foto: Official White House Photo | Shealah Craighead | fotospublicas.com

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15 Julho 2024

"Passou o tempo em que os Estados Unidos redesenhavam soberanamente o mapa-múndi, desagregando sociedades, fabricando vilões universais, criando e desmontando países em nome da liberdade. Para a potência em declínio, trata-se agora, apenas, de prolongar um morticínio muito lucrativo e, se possível, criar outros", escreve Cesar Benjamin, escritor, em comentário publicado no Facebook, 14-07-2024.

Eis o comentário.

Todos estamos acompanhando a evolução da crise política americana, que teve ontem um novo evento grave, com o atentado contra Donald Trump. O candidato ficou levemente ferido, mas correu risco de vida, pois um dos disparos transpassou sua orelha, a um centímetro do cérebro. Duas pessoas morreram – uma delas, o próprio atirador – e uma está gravemente ferida.

Especula-se, cada vez mais, sobre o crescimento de movimentos separatistas e até mesmo sobre a possibilidade de uma guerra civil nos Estados Unidos, dado o grau de deterioração de sua sociedade e de suas instituições. Espero que esta última hipótese não se concretize, numa sociedade cada vez mais polarizada, dividida em seitas, inundada pelo ódio, o racismo e a ignorância, em que dezenas de milhões de pessoas guardam arsenais de guerra nas despensas de suas cozinhas. Seria uma tragédia.

Seja como for, o sonho americano acabou. Dali, não vem mais nenhuma veleidade civilizatória, nem como farsa. Para manter girando uma economia assentada em uma pirâmide financeira, com um endividamento galopante e impagável, os Estados Unidos dependem, cada vez mais, de fomentar guerras e tensões pelo mundo. Quando lemos que eles (ou seus capachos europeus) vão enviar mais dezenas de bilhões de dólares para a Ucrânia, devemos entender que vão injetar esses bilhões na sua própria indústria de armamentos, fornecedora dos uranianos.

A guerra na Ucrânia já perdeu todo o sentido. O plano americano – de usar o país como ponta de lança de uma desestabilização profunda da Rússia, necessária para desafiar a China em seguida – deu errado. A Federação Russa soube se defender. Resta uma fulminante escalada da confrontação, em direção ao apocalipse. Os defensores desta alternativa existem e podem prevalecer.

Passou o tempo em que os Estados Unidos redesenhavam soberanamente o mapa-múndi, desagregando sociedades, fabricando vilões universais, criando e desmontando países em nome da liberdade. Para a potência em declínio, trata-se agora, apenas, de prolongar um morticínio muito lucrativo e, se possível, criar outros. Tudo acobertado, no Ocidente, por um controle absoluto dos meios de comunicação, que criam a cobertura ideológica necessária para a marcha da insensatez.

Uma economia decadente, uma sociedade cada vez mais fraturada e um sistema político podre – mas ainda muito poderosos – estão projetando, no mundo, um caos crescente que ameaça toda a vida.

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