“Apelo a teólogos e intelectuais por uma nova aliança sinodal”. Entrevista com Vincenzo Paglia

"Fraternity - Sauro Cavallini" (Foto: Wikimedia Commons)

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15 Junho 2021

 

O Grão-Chanceler do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II e presidente da Pontifícia Academia para a Vida apresenta o documento com o qual se espera o nascimento de uma nova sinodalidade intelectual capaz de enfrentar as mais graves emergências do nosso tempo: “A modernidade falhou em muitas promessas, a começar por aquela da fraternidade. A própria colocação de lado da ideia de Deus ou do sagrado é um obstáculo à elaboração de um pensamento científico e humanístico". O desafio é entusiasmante e complexo ao mesmo tempo: "criar uma aliança entre homens de pensamento, mesmo não crentes, e teólogos para criar uma nova fraternidade intelectual, necessária para fazer emergir o humano que as une”.

D. Vincenzo Paglia, arcebispo, Grão-Chanceler do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II e presidente da Pontifícia Academia para a Vida, apresenta o apelo de dez teólogos e teólogas intitulado 'Salvar a fraternidade – juntos', escrito pelo impulso das duas instituições da Santa Sé presididas pelo próprio arcebispo e dirigido à Igreja universal e a todas as pessoas de boa vontade, a partir de um fato: “É o que o Papa Francisco chama de mudança de época. A pandemia revelou toda a sua profundidade e amplitude. Neste contexto histórico alterado, todos os paradigmas, estilos de vida e perspectivas devem mudar. E o Santo Padre nos mostra os caminhos a seguir com as encíclicas Laudato si' e Fratelli tutti”.

A entrevista com Vincenzo Paglia é editada por Federico Piana, publicada por Vatican News, 13-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

O apelo está na base de algumas das emergências mais importantes que a humanidade hoje se encontra a enfrentar junta. Quais são elas?

Certamente aquela ecológica. Depois, há aquelas relacionadas à expansão da inteligência artificial e ao surgimento de uma nova antropologia. Todos nós temos credos e culturas diferentes, mas hoje um novo esforço comum é essencial para relançar um debate útil para encontrar linhas de intervenção comuns.

 

Quais são os pilares do documento?

O primeiro é aquele que indica aos teólogos católicos e cristãos a necessidade de redescobrir o impulso de voltar a propor o Evangelho de sempre numa linguagem que seja compreensível aos homens de hoje. E isso requer uma nova elaboração do método teológico, respondendo ao convite para sair do recinto que o Papa Francisco continua a nos dirigir. A outra pedra angular é a exortação dirigida aos intelectuais. A modernidade falhou em muitas promessas, a começar por aquela da fraternidade. A própria colocação de lado da ideia de Deus ou do sagrado é um obstáculo à elaboração de um pensamento científico e humanístico: por isso o encontro entre os dois polos pede a ambos que deem um passo em frente rumo ao novo humanismo para pelo qual devemos tender.

 

Quais poderiam ser as bases concretas para estabelecer o diálogo?

A primeira fase é do encontro. Encontrar-se e contaminar-se enriquece os dois lados. O Papa Francisco tem razão quando diz que no encontro não ganha nem um nem o outro, mas ganha o encontro. É necessária uma sinodalidade intelectual, uma sinodalidade entre os cultores da fé e os cultores do humano. Repito, a autorreferencialidade fecha enquanto o confronto enriquece. A cultura internacional precisa disso e a Igreja também precisa disso.

 

Do contrário, o risco é de uma teologia que se fecha em uma torre de marfim ...

Certamente. Vivemos um momento oportuno em que todas as ciências devem se recolocar e se confrontar. Foi o que aconteceu quando nasceram as universidades, um lugar onde todos os saberes - inclusive a teologia - estavam em diálogo. Nos nossos dias, o risco é que uma multiplicidade de especializações impeça uma visão holística da história e do próprio desenvolvimento do ser humano.

 

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