Nápoles, Battaglia, 'padre dos últimos', é o novo arcebispo

Domenico Battaglia (Foto: Vatican Media)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

14 Dezembro 2020

"Battaglia encontra uma cidade que o espera ansiosamente. Que, apesar das tantas e graves contradições, une a sua  a um culto popular disseminado transversalmente, entre classes e territórios", escreve Conchita Sannino, em artigo publicado por La Repubblica, 12-12-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Nomeação para Domenico Battaglia. Um padre de comunidade em Donnaregina. O bispo que há apenas 8 meses trovejava contra o capitalismo selvagem e os poderosos expostos pelo vírus, que sabiam "viver só para si mesmos e para o seu dinheiro", vai liderar a Igreja de Nápoles, a capital do sul empobrecida pela crise. O anúncio deveria ocorrer, como de costume, no sábado ao meio-dia: ao mesmo tempo no Vaticano, na Cúria napolitana e no Palácio Episcopal de Cerreto Sannita.

Domenico Battaglia, 57, bispo da diocese de Benevento, é o sucessor de Crescenzo Sepe no topo do Largo Donnaregina. Há quase um ano, em janeiro de 2020, dizia-se no Vaticano que o Papa Francisco pensava nele, depois de um encontro entre os dois, e que o considerava o sucessor certo para o cardeal Sepe. Um jovem pastor, nomeado bispo por Bergoglio em 2016, profundamente engajado na proximidade com os irmãos mais frágeis e, ao mesmo tempo, conhecido por sua espiritualidade sólida e ancorada na radicalidade do Evangelho.

Depois, a explosão da pandemia e a dramática crise econômica e social - que empenhou muito as dioceses em todo o território nacional - atrasaram fatalmente todos os procedimentos rituais que conduzem às nomeações. Os rumores já circulavam há meses, o "Repubblica" falou sobre isso em junho, agora chegou a confirmação da mudança do palácio napolitano. Sepe sai após 16 anos: foi nomeado em maio de 2006 por Bento XVI.

Nascido em 20 de janeiro de 1963 em Satriano, província e arquidiocese de Catanzaro, Domenico Battaglia - que para muitos de seus amigos calabreses continua sendo Dom Mimmo - realizou seus estudos filosófico-teológicos no Seminário "San Pio X" de Catanzaro. Ordenado sacerdote em 6 de fevereiro de 1988, foi Reitor do Seminário Liceu de Catanzaro, Pároco de Nossa Senhora do Carmine de Catanzaro, Diretor do Escritório Diocesano para a "Cooperação Missionária entre as Igrejas".

De 2000 a 2006 foi Vice-Presidente da Fundação Betania de Catanzaro (obra diocesana de caridade assistencial) e até 2015 ocupou o cargo de Presidente Nacional da Federação Italiana de Comunidades Terapêuticas. Era 24 de junho de 2016 quando o Papa Francisco o nomeou bispo em Cerreto Sannita, Telese e Sant'Agata de 'Goti para substituir Michele De Rosa, que havia atingido o limite de idade. Assim como Sepe, a quem, no entanto, o pontífice havia concedido mais de 24 meses de prorrogação, como costuma acontecer com os titulares de grandes dioceses.

Conhecido como o "padre dos últimos", o bispo Battaglia é amigo de Dom Luigi Ciotti e de Dom Virginio Colmegna, outro símbolo da Igreja que está entre os esquecidos, escreveu "Os pobres têm sempre razão", testemunho de dois pastores que honram sua escolha de vida e fé, estando presentes em meio ao sofrimento e à marginalização dos que ficaram para trás. A imagem de uma Igreja de proximidade constante e quotidiana, que em Nápoles conta com presenças fortes e carismáticas, de sacerdotes que fizeram da sua missão entre os invisíveis o símbolo do empenho espiritual e da militância social.

Em abril passado, como bispo em Cerreto, havia chamado a atenção a sua importante carta pastoral sobre as consequências do coronavírus. Uma emergência, escrevia Battaglia, que “expôs a fragilidade deste nosso mundo, a inconsistência daquilo em que pensávamos ter encontrado a chave para resolver todos os nossos problemas, a fragilidade daquela economia, que tanto em plano local como global, era considerada a única meta e era vista e saudada como o único caminho que, fora de qualquer regra, leva a humanidade à felicidade na terra”.

E ele havia destacado como o Covid-19 agora causava sofrimento e colocava todos em exílio dentro de suas casas, "até mesmo os executivos e proprietários de grandes empresas financeiras internacionais, aqueles que hoje veem milhares de homens morrerem e tremendo pelo futuro de seus lucros, não querem afrouxar os cordões da bolsa. Não sabem fazê-lo: até agora viveram apenas para si mesmos e para o seu dinheiro. A estátua de ouro é preciosa, mas dura e insensível como o seu coração”.

Battaglia encontra uma cidade que o espera ansiosamente. Que, apesar das tantas e graves contradições, une a sua a um culto popular disseminado transversalmente, entre classes e territórios.

Bem-vindo, bispo: o seu nome, na cidade que corre o risco de indolência com a desculpa da espera do milagre, já é um bom programa.

Leia mais