O encontro de Francisco de Assis com o sultão, ainda em 1219

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29 Abril 2017

“O pobrezinho de Assis queria ir a todo o custo entre os muçulmanos: conseguiu isso na terceira tentativa. Cortesia, respeito e diálogo caracterizaram a conversa entre os dois. Francisco, com o seu agir, insere-se em uma nova lógica de evangelização: paritária e não de superioridade, ir ao encontro do outro e dialogar com o outro.”

A opinião é do padre franciscano italiano Enzo Fortunato, diretor da revista San Francesco, em artigo publicado no jornal Corriere della Sera, 28-04-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A visita do Papa Francisco ao Egito ocorre em um momento de grandes tensões diplomáticas, sociais e religiosas. O encontro de 28 de abril traz à mente o de São Francisco, ocorrido em junho de 1219 com o sultão do Egito, Melek-al-Kamel, em Damietta. Um dos gestos mais extraordinários de paz na história do diálogo entre Islã e cristianismo.

O pobrezinho de Assis queria ir a todo o custo entre os muçulmanos: conseguiu isso na terceira tentativa. Cortesia, respeito e diálogo caracterizaram a conversa entre os dois. Francisco, com o seu agir, insere-se em uma nova lógica de evangelização: paritária e não de superioridade, ir ao encontro do outro e dialogar com o outro.

A partir daquele encontro com o mundo islâmico, Francisco aprendeu algo bonito, que ele tentou transplantar para o Ocidente. Como foi sugerido, o convite presente na “Carta aos governantes dos povos”, a ser anunciado a cada noite, “por um pregoeiro ou por outro sinal, pelo qual sejam dados louvores e graças ao Senhor Deus onipotente por todo o povo”, pode ser considerado a tentativa de introduzir entre os cristãos o costume do convite ao louvor divino dos muezins.

O Santo e os seus frades convidavam as pessoas àquele diálogo da vida, no qual a verdade não é possuída por ninguém, mas é descoberta em conjunto através da partilha das experiências de vida.

A abordagem de Francisco na evangelização não segue a estrada da imposição, mas a da “contaminação”. E é no rastro do encontro, não da cruzada ou da marginalização, que o Papa Francisco se move. Uma viagem que desperta a maior atenção para os novos horizontes que poderão ser abertos no Oriente Médio.

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