Ucrânia. Europa não pode mais se contentar com a estratégia dos EUA

Foto: Ministry of Defense of Ukraine | Flickr CC

Mais Lidos

  • Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove evento em memória ao centenário do agrônomo e ambientalista brasileiro nesta quinta-feira, 20-08-2026, às 17h30min

    José Lutzenberger, 100 anos. Da Borregaard às enchentes: os alertas ignorados

    LER MAIS
  • Para a pesquisadora, o design das plataformas deixou de ser apenas uma escolha estética de interface e se tornou o principal ator tecnopolítico das Big Techs, moldando o comportamento dos usuários e impactando diretamente o debate democrático

    Economia da atenção: o design algorítmico a serviço da estetização da política. Entrevista especial com Anna Bentes

    LER MAIS
  • Qual é o pior momento do ateu? Artigo de Leonardo Boff

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

24 Fevereiro 2022

 

Com seu discurso televisionado e cuidadosamente encenado, cheio de barulho e fúria, o chefe de Estado russo surpreendeu o “campo ocidental” e minou todos os esforços feitos pela França e pela Alemanha para encontrar uma solução diplomática para o conflito ucraniano.

 

O comentário é de Isabelle de Gaulmyn, ex-vaticanista e editora do La Croix International, 23-02-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Tudo nesse discurso falava da profundidade da humilhação sentida pela Rússia, daquele ressentimento nascido de um sentimento de rebaixamento, que o líder do Kremlin assumiu como sua força motriz.

Mas é um paradoxo curioso. A fim de se vingar, a Rússia está jogando a carta da Guerra Fria, aquele “velho mundo” cujos piores momentos parecemos estar revivendo atualmente.

E esse país, agora apenas uma potência de nível médio, está mais uma vez mantendo todo o planeta em suspense.

A Europa não pode repetir os cenários da Guerra Fria.

Muito pelo contrário, já que não é mais assim.

Além disso, foi uma aposta de Putin pensar que o Ocidente já está no “novo mundo”, com uma opinião pública escaldada por reveses militares (Iraque, Afeganistão) e relutante em apoiar e financiar um conflito armado.

De fato, o destino da Ucrânia não está mobilizando as multidões.

Os Estados Unidos se preocupam com o seu confronto com a China e, apesar da sua linguagem agressiva, permanecem cautelosos.

Nesse contexto, a Europa não pode mais se contentar com a estratégia estadunidense.

Sua economia está muito mais entrelaçada com a Europa oriental do que com a antiga União Soviética. Seus interesses políticos e geoestratégicos não são os do aliado estadunidense.

A Alemanha imediatamente deu o tom, ao congelar o projeto do gasoduto Nord Stream 2 na terça-feira.

Então, de forma concertada ao longo do dia, todos os países da União Europeia, acompanhados pela Noruega e pela Grã-Bretanha, anunciaram fortes sanções.

É como se esta crise ucraniana, que está ocorrendo às portas da Europa, estivesse finalmente forçando o Velho Continente a falar a uma só voz.

 

Leia mais