O teólogo protestante Jan Joosten é condenado por posse de imagens de pornografia infantil

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26 Junho 2020

O professor e ex-pastor da Bélgica foi suspenso de suas atividades na Universidade de Estrasburgo e na Universidade de Oxford. Os círculos universitários de língua francesa e inglesa estão chocados com o caso.

A reportagem é de Bénédicte Lutaud, publicada por Le Figaro, 25-06-2020. A tradução é de André Langer.

Consternação no ambiente universitário protestante francês e americano. O renomado teólogo Jan Joosten, professor do Antigo Testamento na Faculdade de Teologia Protestante da Universidade de Estrasburgo e também professor de Oxford, foi preso na sexta-feira 19 de junho pela posse de 27 mil imagens e mil vídeos de natureza pedófila, material baixado ao longo de seis anos. Entre essas imagens há cenas de crianças sendo abusadas sexualmente por adultos.

Com 61 anos e pai de quatro filhos, Joosten foi condenado pelo tribunal de Saverne (Baixo Reno) a doze meses de prisão, embora aguarde em liberdade, a acompanhamento sócio-judicial de três anos e proibido de exercer qualquer atividade que envolva contato com crianças e adolescentes. “Eu era como um jardim secreto, em contradição comigo mesmo”, murmurou o professor perante o presidente do tribunal, enquanto revelava ter ficado “aliviado” com a prisão, segundo informa o jornal Dernières Nouvelles d’Alsace.

Antes dessas revelações, Jan Joosten era conhecido como um dos melhores especialistas da Septuaginta, tradução da Bíblia Hebraica para o grego, e como professor reconhecido pelo mundo acadêmico internacional – ele estudou em Israel e nos Estados Unidos, onde ainda cultivava laços. Ex-pastor da Igreja Protestante Unida da Bélgica, ele também ensinou na Oxford (Inglaterra) e recebeu o prestigioso título universitário de professor regius. Na noite de segunda-feira, o teólogo foi suspenso pela Faculdade de Estudos Orientais de Oxford e pelo Christ Church College, de Oxford, onde era titular da prestigiada cadeira de hebraico. No dia 23 de junho, Jan Joosten também “renunciou a todos os seus cargos e associações com a Society of Biblical Literature (...) e não é mais membro da SBL”, anunciou a SBL pelo Twitter.

A Universidade de Estrasburgo, por sua vez, adotou uma medida conservadora com vistas a “suspender todo o seu ensino”. “A justiça fez seu indispensável trabalho”, comenta a Faculdade de Teologia protestante da universidade em um comunicado publicado na noite da última quarta-feira, 24 de junho. “A faculdade pensa em seus alunos, ex-alunos, colegas e amigos que ficaram surpresos com a gravidade dos atos cometidos”. Além disso, “os funcionários e estudantes da Universidade de Estrasburgo que precisarem de acompanhamento nessas circunstâncias podem marcar uma consulta por e-mail (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.) no Centre d'Accueil Médicopsychologique Universitaire (...) da Universidade de Estrasburgo, que garante as consultas por videoconferência”, indica o comunicado de imprensa.

Em Estrasburgo, essas revelações caíram como uma bomba. Joan Charras-Sancho, teóloga da União das Igrejas Protestantes da Alsácia e de Lorena (UEPAL), deu o seguinte testemunho ao Le Figaro: “Fui aluna dele durante o meu curso de teologia de 1999 a 2002. Portanto, estou sentida e chocada com o que meu ex-professor (de Antigo Testamento!) fez. E aliviada com o fato de que a polícia pôs fim às suas artimanhas”. “Ele supervisionou muitos estudantes. Para eles, é algo que se acaba, respira. Estamos todos petrificados com o que aconteceu, pois ele parecia moralmente muito correto. Há uma grande distância entre o que você pode ver dele e o que significa baixar imagens de crianças sendo estupradas”.

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