No Vaticano é o dia dos “errata corrige”. O Papa “apagado” sobre McCarrick vira caso

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30 Mai 2019

É o dia dos "errata corrige" no Vaticano. Aquele do cardeal Pietro Parolin, que corrige o tiro contra Matteo Salvini – mesmo reiterando a crítica sobre o uso do rosário - e depois de quase um ano de espera, declara que haverá um "diálogo" também com o líder da Lega que saiu triunfante das eleições europeias, porque "o Papa sempre diz: diálogo, diálogo, diálogo". E depois aquele do Osservatore Romano após a omissão de parte da transcrição integral espanhola e do vídeo da entrevista concedida pelo Papa Francisco à Televisa na passagem sobre o cardeal Theodore McCarrick, expulso do clero por pedofilia. O jornal da Santa Sé publicou um esclarecimento explicando que o texto italiano, publicado na terça-feira também pelo órgão oficioso da Santa Sé, continha um corte substancial de um ponto central da questão. A correção foi feita no portal Vatican News apenas na manhã desta quarta-feira.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por Huffington Post, 29-05-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Na íntegra em espanhol (cuja transcrição completa foi publicada na terça-feira à tarde no portal "Vatican News") havia, de fato, uma pergunta da jornalista Valentina Alazakri sobre o encontro de junho de 2013 entre o ex-núncio para os EUA Viganò e o Papa Francisco, mas pergunta e respostas foram omitidas nas traduções. No entanto, tratava-se de uma passagem em que o Papa demonstrava embaraço sobre a audiência com o ex-núncio: o Papa disse não se lembrar se teria sido informado por Viganò, em 2013, quanto à inclinação de McCarrick de dormir com os seminaristas. A omissão assim deu a impressão de que Francisco categoricamente negasse saber algo sobre McCarrick, enquanto o texto completo esclarece que o Papa não se lembrava.

Aqui está o texto completo (com a parte “apagada” em negrito):

“De McCarrick eu não sabia nada, naturalmente, nada. Eu disse várias vezes, não sabia nada, não fazia ideia. E quando ele diz que falou comigo naquele dia, que ele veio ... e eu não me lembro se me falou sobre isso, se é verdade ou não. Eu não tenho ideia! Vocês sabem que eu não sabia sobre McCarrick, caso contrário não teria permanecido calado.”

Um acréscimo nada secundário quanto ao escândalo de encobrimento de décadas do Vaticano sobre a vida de McCarrick, o cardeal que sussurrava aos presidentes dos Estados Unidos. Andrea Tornielli, diretor editorial do Vaticano, declarou nesta manhã que o corte aconteceu "devido aos prazos estreitos e à extensão da tradução".

Enquanto isso, o arcebispo Viganò reiterou nesta quarta-feira para o site tradicionalista norte-americano Lifesite sua convicção de que o Papa esteja mentindo. Informalmente no ambiente do Vaticano, desmente-se que a entrevista à emissora mexicana tenha sido feita em coincidência com a divulgação nos EUA de novos documentos (o Relatório Figueiredo) sobre o caso McCarrick.

Em suma, ao longo de um dia, uma série de desventurados eventos se concentraram novamente no caso do ex-cardeal norte-americano que foi expulso do clero por pedofilia no início deste ano. De sua parte, o cardeal Parolin especificou que está em curso uma investigação interna para esclarecer quem na Santa Sé sabia (entre cardeais e núncios), o quê e quando. E só depois haverá uma comunicação oficial sobre o assunto.

A entrevista para a Televisa também contém uma passagem interessante sobre o cardeal George Pell, condenado em primeira instância na Austrália por abusos sexuais contra dois garotos, sentença que aguarda julgamento de recurso na primeira semana de junho. O Papa disse que escolheu Pell como um de seus colaboradores mais próximos, porque ele já era cardeal da Cúria, resultava inocente depois de uma investigação anterior (por encobrimento de abusos de outros, ndr) e que havia sido indicado a ele. A questão agora é saber por quem.

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