“Não ao rosário para fins políticos” Desavenças entre os católicos e chefe da Lega

Foto: YouTube

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Mai 2019

Uma brusca troca de farpas entre o ministro Salvini e seus críticos pelo rosário que o vice premiê voltou a agitar no comício de Milão, no sábado: Avvenire, Famiglia Cristiana e o jesuíta Spadaro, diretor da Civiltà Cattolica, acusaram-no de explorar a religião e ele respondeu que está "orgulhoso" de carregar sempre o rosário no bolso.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada por Corriere della Sera, 20-05-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Nota de IHU On-Line: Veja o vídeo do ministro Salvini, com o rosário na mão, no comício de Milão, clicando aqui (em italiano).

Ele quis rebater que com aquele gesto não está manipulando, mas fazendo referência a um símbolo que lhe pertence. "O mandamento de não falar o nome de Deus em vão - escreveu o padre Antonio Spadaro em seus perfis no Facebook e Instagram - pede para não usá-lo para os próprios propósitos: a consciência crítica e discernimento deveriam ajudar a entender que não é um comício político o lugar para fazer litanias em nome de valores que nada têm a ver com o Evangelho de Jesus”.

E ainda: "A consciência cristã deveria se sobressaltar com desdém e humilhação vendo-se manipulada e usada assim como mercadoria. A reação de Cristo ao uso instrumental de Deus é a expulsão dos mercadores do Templo. Que sejam feitos discursos, que se vençam ou percam as eleições, mas diante de Deus é preciso tirar as sandálias".

Ainda mais ressentida foi a reação da Famiglia Cristiana, que já em outra oportunidade havia usado a expressão evangélica contra o ministro do Interior "Vade retro": "O rosário agitado por Salvini e os apupos da multidão ao Papa Francisco, eis o soberanismo fetichista". "Ontem - continua o semanário - foi encenado em Milão o enésimo exemplo de exploração religiosa para justificar a violação sistemática por nosso país dos direitos humanos. Enquanto o líder da Lega Nord exibia o Evangelho, outro navio carregado de vidas humanas era mandado de volta e a ONU nos condenava pelo decreto da segurança”.

Um convite educado para não misturar com política também veio do secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, perguntado por jornalistas nos bastidores da Festa dos Povos, que ele celebrou na Praça San Giovanni, em Roma: "Eu acredito que a política partidária divida; mas, Deus pertence a todos. Invocar Deus para si mesmos é sempre muito perigoso”.

No mesmo tom veemente de Spadaro e da Famiglia Cristiana, também foi o comentário sobre o gesto de Salvini que veio de Avvenire, o cotidiano dos bispos: "Com o rosário rezamos, não realizamos comícios". "Eu sou o último dos bons cristãos - respondeu Salvini à margem de um encontro em Sassuolo - mas estou orgulhoso de circular com o rosário sempre no meu bolso."

Por fim, deve ser sinalizado um protesto da presidente da Comunidade Judaica Romana, Ruth Dureghello, que não é tanto contra Salvini, mas contra seus aliados suprematistas nostálgicos do fascismo: "Acreditávamos que havíamos derrotado aquele mal, mas depois de 70 anos o mal reapareceu com faixas e manifestações que exaltam símbolos que realmente pensávamos que nunca veríamos novamente".

Leia mais