Carta da Assembleia Pré-Sinodal do Regional Norte 1

Amazônia | Foto: Gleison Miranda | Secom - Governo do Acre

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03 Dezembro 2018

"Queremos uma Igreja que promova o protagonismo social e eclesial laical, das mulheres, dos atores nativos, da Vida Religiosa e Missionária, de quem se espera disponibilidade, ousadia, perseverança, capacidade de acolhida, diálogo intercultural, leveza estrutural e incremento da vida das comunidades", escreve a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - Secretariado Regional Norte I - em carta publicada durante a  Assembleia Pré-Sinodal do Regional Norte I. 

Eis a carta.

“Não importa que doa: é tempo de avançar de mão dada com quem vai no mesmo rumo”
Thiago de Mello

Como Igreja do Regional Norte 1, Amazonas e Roraima, nos reunimos, no Centro de Treinamento Maromba, em Manaus, em caminho sinodal, com a presença de leigos e leigas, diácono, sacerdotes, religiosos e religiosas, bispos, representando todas as dioceses do Regional. O Sínodo é uma grande luz que o Papa Francisco acendeu para se fazer pequenas luzes em nossa realidade Amazônica. Neste caminho, muitos sinais de Deus vêm sendo colocados como marcos, para indicar a direção a seguir. 

O Sínodo é um tempo de graça, um kairós, que nos convoca a elevar nossas vozes, darmos as mãos e seguir, sempre acreditando que é o Senhor que nos convoca a sermos “sal da terra” (Mt 5,13). O Sínodo é um processo que gera  possibilidades, um acontecimento que promove a escuta e uma ferramenta que ajuda a recolher as vozes proféticas dos povos da Amazônia, em uma Igreja chamada a cuidar do jeito, do conteúdo de sua comunicação e a reconhecer o papel da mulher, em uma sociedade dominada pelo mercado, pelos grandes projetos, onde se vislumbram propostas extremamente perversas.

A partir da síntese da ampla escuta realizada, este foi um tempo para deixar que tanta riqueza passasse pelo processo de decantação. Junto aos povos do nosso Regional, sonhamos com uma Igreja ousada, dialogal, inclusiva, pobre, solidária, mística, em saída. Uma Igreja que quer se expressar em uma liturgia e sacramentos inculturados, que assimila as culturas, dá valor à religiosidade popular e mariana, promove o diálogo inter-religioso, desde a escuta e a teologia indígena. Uma Igreja profética, que promove novos paradigmas de comunicação, com pauta nos povos da Amazônia, que atua em rede e busca repercutir a vida da região. 

Queremos uma Igreja que promova o protagonismo social e eclesial laical, das mulheres, dos atores nativos, da Vida Religiosa e Missionária, de quem se espera disponibilidade, ousadia, perseverança, capacidade de acolhida, diálogo intercultural, leveza estrutural e incremento da vida das comunidades. Uma Igreja que insiste na ministerialidade, com os ministérios existentes, promovendo o diaconato permanente e diaconisas, o ministério da presidência eucarística, para homens e mulheres, e os ministérios a partir das culturas locais.

Que Nossa Senhora da Amazônia, rainha das luzes e das flores, nos dê juízo e sabedoria, para proteger nossa terra, nossa gente, para que a Amazônia não tenha fim.

Manaus, 02 de dezembro de 2018

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